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Xi, Modi e Putin: a cúpula que desafia a ordem mundial liderada pelos EUA

A cidade portuária de Tianjin, no leste da China, se transforma neste fim de semana em vitrine de poder geopolítico. Sob a bandeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), que promove neste fim de semana sua cúpula de segurança, o presidente Xi Jinping recebe cerca de 20 líderes estrangeiros, entre eles o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente russo, Vladimir Putin, numa rara demonstração de alinhamento entre três dos maiores atores fora do eixo ocidental.

A China aproveita a cúpula para se apresentar como centro de uma ordem global menos dependente dos Estados Unidos. O encontro é acompanhado por um desfile militar em Pequim, com novos mísseis e caças, reforçando o recado de que o país combina influência diplomática com poder militar.

Putin, isolado desde a invasão da Ucrânia, ganha em Tianjin um palco raro fora do Ocidente. Pequim descreveu os laços sino-russos como estando “no melhor momento da história”, sustentados por comércio recorde de energia e tecnologia.

A Índia chega em posição ambígua. Modi havia se aproximado de Washington sob o governo de Joe Biden, após conflitos com a China. Mas tarifas americanas contra produtos indianos reacenderam dúvidas em Nova Déli sobre a confiabilidade de Washington como parceiro.

O encontro ocorre poucos dias depois de Washington impor tarifas de 50% sobre produtos indianos, em resposta à compra de petróleo russo por Nova Déli, um gesto que analistas veem como catalisador para a aproximação entre Modi e Xi em meio às pressões ocidentais.

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Modi aproveitou o encontro – o primeiro em sete anos – para sinalizar interesse em reduzir tensões bilaterais. Em reunião com Xi, disse que Índia e China estão “comprometidas em avançar com base em respeito e confiança mútua”.

A conversa também abordou a disputa fronteiriça no Himalaia, que já levou os dois países a confrontos militares nas últimas décadas. Modi afirmou que uma atmosfera de “paz e estabilidade” está sendo construída na região. Xi, segundo a agência Xinhua, respondeu que “a questão da fronteira não deve definir o relacionamento como um todo”.

Xi explora o desconforto generalizado com os Estados Unidos ao tentar reposicionar a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) como alternativa econômica e diplomática mais previsível.

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Criada em 2001 por seis países da Ásia Central, a organização hoje reúne dez membros plenos e 16 observadores. Seu escopo vai além da segurança e do combate ao terrorismo: agora inclui cooperação militar, energética e tecnológica. A ausência de líderes ocidentais no evento, com a única exceção de Robert Fico, primeiro-ministro da Eslováquia, reforça a mensagem de Pequim de que o “Sul Global” precisa de fóruns independentes da OTAN e do G7.

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