Seguindo parte essencial da campanha até o Oscar, Wagner Moura já apareceu em diversos talk-shows americanos, dos mais descontraídos, como o da cantora Kelly Clarkson e o da atriz Drew Barrymore, até os mais sérios. Nessa última toada está o programa The Daily Show, que recebeu o ator baiano para falar do filme O Agente Secreto, produção que nesta semana deve conquistar indicações ao Oscar. Na entrevista mais política dada por ele na TV americana até agora, Moura disse que agradeceu, de forma irônica, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, já que seu governo levou o ator e o diretor Kleber Mendonça Filho a refletirem sobre os desvios da memória brasileira em relação à ditadura militar. “Quando nós elegemos um presidente de extrema-direita em 2018, esse homem foi como uma manifestação física desses ecos”, disse o ator sobre Bolsonaro, sem citar nomes – o que o apresentador Jordan Klepper logo evocou. Em seguida, Moura afirmou que sem o ex-presidente “nunca teríamos feito esse filme”. “O filme nasce a partir da perplexidade compartilhada por mim e Kleber Mendonça Filho diante do que estava acontecendo no Brasil entre 2018 e 2022.”
Não demorou para que a dupla fizesse uma conexão com o momento atual dos Estados Unidos, governado por Donald Trump. Moura comparou os dois mandatários e reforçou que, no Brasil, Bolsonaro e os apoiadores que vandalizaram Brasília no dia 8 de janeiro de 2023 em atos antidemocráticos foram julgados e presos, ao contrário do que ocorreu nos Estados Unidos no infame 6 de janeiro de 2021, com a invasão ao Capitólio. O ator afirmou que a diferença dos dois países após os eventos traumáticos é que o Brasil sabe o que é uma ditadura militar, enquanto os Estados Unidos não. Confira a seguir o vídeo completo da entrevista.
Qual é a história de O Agente Secreto?
Protagonizado por Wagner Moura, o filme acompanha a história de Marcelo, um professor universitário que retorna para sua Recife de origem sob disfarce com o intuito de pegar o filho e recomeçar em outro lugar. O ano é 1977, em plena ditadura militar, e o estado de espírito opressor paira sobre o Brasil, abrindo brechas para criminosos agirem em nome de interesses próprios sob a escolta do Estado. Nessa atmosfera misteriosa e de segredos ocultos, Marcelo encontra na capital pernambucana outras pessoas de passado oculto, que se abrigam em um prédio administrado por dona Sebastiana (Tânia Maria). Nessa trajetória, diversas histórias se desenrolam em paralelo com a do protagonista, algumas trágicas, outras cômicas, algumas até surreais, mas todas embaladas pelo colorido do país em plena semana do Carnaval.