Uma discussão por causa de uma conta em um bar no Rio de Janeiro terminou com a turista argentina Agostina Páez, de 29 anos, usando tornozeleira eletrônica e com o seu passaporte apreendido — o que a impede de deixar o país. O motivo foi, no meio do embate, ela ter chamado um dos garçons de “mono”, palavra espanhola que significa “macaco”, enquanto fazia gestos e sons imitando o animal.
O episódio aconteceu na última quarta-feira, 14, mas as providências tomadas pela Justiça foram efetivadas neste sábado, 17. Páez estava acompanhada de amigas em um bar no bairro de Ipanema, no Rio. Quando foram pagar a conta, houve uma discordância delas em relação ao valor cobrado. O gerente decidiu checar nas câmeras de segurança e pediu que as turistas esperassem dentro do bar enquanto ele resolvia a situação.
Durante a espera, Páez se irritou com um dos garçons e o chamou de “mono” (macaco em espanhol), enquanto imitava o bicho. Ela saiu andando e fez um gesto para os atendentes. Uma das amigas que a acompanhava tentou contê-la, mas foi em vão. Toda a dinâmica foi registrada pelos celulares dos atendentes do bar. Veja a seguir:
O restaurante deu queixa no mesmo dia e a turista foi localizada. A pedido da Polícia Civil, a Justiça do Rio de Janeiro autorizou a apreensão dos documentos dela e determinou que Páez coloque tornozeleira eletrônica, o que monitora seus passos. Segundo a PC-RJ, neste sábado a turista prestou depoimento ao delegado do caso e já saiu da delegacia com o equipamento colocado.
O inquérito foi autuado como injúria racial. Na legislação brasileira, esse crime é inafiançável e imprescritível e tem uma pena que vai de dois a cinco anos. Até a publicação desta matéria, Páez ainda não tinha advogado no inquérito. A reportagem busca contato com a sua defesa. O espaço está aberto para manifestação.