A Ilha da Sicília, na Itália, está sob estado de emergência em decorrência da crise climática desencadeada pela passagem do Ciclone Harry nos últimos dias. Nesta quarta-feira, 21, o Departamento de Proteção Civil colocou a região autônoma em alerta vermelho juntamente com os territórios da Sardenha e da Calábria. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram a intensidade das tempestades, que provocam alagamentos e ondas gigantes.
Registros compartilhados por usuários nas redes sociais mostram o mar revolto invadindo as ruas de diversas cidades na ilha mediterrânea, chegando a adentrar um restaurante. Uma das filmagens foi feita pelo prefeito de Taormina, uma cidade no leste da região. O mandatário transmitia ao vivo a forte ressaca quando foi atingido por uma onda. Após o impacto, ele alertou a população: “Não façam como nós”.
Centenas de pessoas precisaram ser evacuadas em decorrência do cenário de crise, com ventos que chegavam a 150 km/h, e muitas prefeituras determinaram o fechamento de escolas devido ao risco. As ondas chegaram a 10 metros de altura em decorrência do ciclone, destruindo portos, embarcações e áreas costeiras, alagando diferentes cidades. Para além disso, há um risco elevado de deslizamento, especialmente em regiões montanhosas.
O governador da Sicília, Renato Schifani, estimou que os danos iniciais chegam a “meio bilhão de euros”, valor que pode aumentar no decorrer dos levantamentos técnicos. “Estão chegando as notícias sobre os danos que, infelizmente, são muito graves. (…) Falamos de estradas costeiras, empreendimentos turísticos e balneários, residências e estruturas portuárias”, disse ele.
Na província de Messina, localizada no nordeste da ilha, a força do mar destruiu escritórios e arrancou píeres, causando estragos em diversas estruturas portuárias. Em Milazzo, rebocadores e profissionais tiveram que intervir para evitar que um navio se soltasse, após os cabos de amarração que o prendiam ao porto da cidade serem rompidos.
O ciclone também causou impactos significativos na província vizinha de Catânia, onde bairros residenciais e tradicionais zonas de pescadores foram atingidos pelas ondas. Barreiras de proteção foram deslocadas pela força das ressacas, que espalharam entulhos ao longo da zona costeira.
Do outro lado da ilha, a província de Trapani viu suas praias serem devastadas pela força do ciclone. Na comuna de Mazara del Vallo, a via principal ficou coberta de resíduos trazidos pelo mar, e estruturas de balneários que permaneceram montadas ao longo do inverno foram devastadas.