Uma colisão entre dois trens de alta velocidade deixou pelo menos 39 pessoas mortas e mais de 120 feridas na Espanha no domingo 18. O episódio aconteceu nas proximidades de Adamuz, uma cidade na província de Córdoba, a cerca de 360 km da capital, Madri. A tragédia já é considerada um dos piores acidentes ferroviários da Europa nos últimos 80 anos.
De acordo com as autoridades, todos os sobreviventes foram resgatados, e o serviço rodoviário de alta velocidade entre Madri e Andaluzia foi suspenso pela administradora da rede ferroviária, a Adif, em decorrência do acidente. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram passageiros saindo pelas janelas enquanto os serviços de emergência atuavam no resgate; outras imagens aéreas mostram a escala da devastação.
O acidente ocorreu após os últimos vagões do trem Iryo 6189, que havia saído de Málaga em direção a Madri, descarrilarem e invadirem os trilhos utilizados por uma locomotiva operada pela estatal Renfe, que vinha na direção oposta. Ainda não se têm informações a respeito da causa do descarrilamento, e o inquérito sobre o caso deverá ser concluído em menos de um mês, segundo o Ministério dos Transportes.
Foi o acidente ferroviário mais letal na Espanha desde 2013, quando 80 pessoas morreram após o descarrilhamento de um trem em Santiago de Compostela.
Em entrevista à agência de notícias Reuters, uma sobrevivente chamada Ana contou sobre a experiência. “O trem inclinou para um lado, então tudo ficou escuro. E tudo que ouvi foram gritos”, disse ela. Ana estava dentro da locomotiva operada pela Iryo no momento do acidente, e foi resgatada dos destroços por outros passageiros.
“Havia pessoas que estavam bem, e outras que estavam muito gravemente feridas. Elas estavam bem na sua frente e você sabia que elas iam morrer, mas não podia fazer nada”, contou a jovem, mancando e enrolada em um cobertor no centro da Cruz Vermelha em Adamuz. Ana afirmou que sua irmã foi resgatada posteriormente pelos bombeiros, e ambas foram encaminhadas para o hospital. Foram 122 feridos, 48 dos quais estão internados e doze seguem em terapia intensiva, de acordo com os serviços de emergência.
Causa sob investigação
O presidente da Renfe, Álvaro Fernandez Heredia, afirmou em entrevista à rádio Cadena Ser que “o erro humano está praticamente descartado” como causa do acidente, e que o episódio teria ocorrido em “condições estranhas”. Segundo ele, a colisão aconteceu 20 segundos após o descarrilamento, tempo insuficiente para que o freio de emergência fosse acionado.
Entre as locomotivas envolvidas na tragédia, aquela pertencente à Renfe carregava 100 passageiros e seguia em direção à cidade de Huelva, a 200 km/h. O outro trem, de responsabilidade da Iryo, havia saído de Málaga em direção à capital com mais de 300 passageiros, a cerca de 110 km/h. A locomotiva da Iryo perdeu uma roda, que ainda não foi localizada.
Uma análise produzida pela Reuters a partir de publicações da rede ferroviária Adif no X (ex-Twitter) aponta que problemas na infraestrutura da estação Adamuz, onde ocorreu o acidente, causaram pelo menos dez episódios de atrasos no trajeto Madri-Andaluzia desde 2022. Os problemas variam desde falhas na sinalização até questões relacionadas a linhas de energia.