A União Europeia aprovou em caráter provisório nesta sexta-feira, 9, o acordo comercial com o Mercosul, de acordo com as agências de notícias AFP e Reuters. A confirmação formal dos votos deve ser enviada por escrito até as 17h no horário de Bruxelas (13h em Brasília), disseram diplomatas ouvidos pelas agências.
A decisão abre caminho para a formalização do tratado após mais de vinte anos de negociações. Com o sinal verde, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo na próxima segunda-feira, 12, no Paraguai.
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o pacto amplia o acesso a um mercado de mais de 45o milhões de consumidores, com impactos que vão além do agronegócio, podendo alcançar também diferentes segmentos da indústria brasileira.
Resistência
O texto conta com o apoio de setores empresariais na Europa, mas enfrenta resistência de agricultores europeus, especialmente na França. De acordo com a AFP, a maioria dos 27 países do bloco votou a favor do pacto durante uma reunião de embaixadores em Bruxelas, mas além de Paris, que já havia adiantado o voto “não”, Irlanda, Hungria e outros países que temem impactos negativos sobre o setor agrícola tentaram barrar o avanço, afirmaram diplomatas europeus.
Na véspera, o presidente francês, Emmanuel Macron, criticou o tratado e disse que não poderia aprová-lo como está agora. “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, escreveu ele em comunicado.