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Um ícone da tecnologia japonesa vendido para os chineses

Durante décadas, o Japão ensinou ao mundo como fabricar televisores. A precisão industrial, a obsessão por qualidade e marcas que inspiravam confiança, como a Sony, definiram o padrão global de entretenimento doméstico. Agora, o futuro desse legado passa por Pequim. A Sony anunciou nesta terça-feira, 20, uma joint venture com a chinesa TCL, na qual a parceira asiática ficará com 51% do controle da divisão de TVs.

A nova empresa, com início de operações previsto para abril de 2027, será responsável por todo o ciclo do negócio, do design à logística, passando por fabricação, vendas e atendimento ao consumidor. Na prática, isso significa que a Sony entrega o volante operacional de um segmento que já foi central à sua identidade, preservando, porém, influência estratégica e, sobretudo, o valor da marca.

Para a Sony, televisores deixaram de ser um negócio de margens elevadas. A competição, a rápida obsolescência tecnológica e a pressão por preços tornaram o setor menos atraente para grupos que hoje preferem concentrar capital em áreas como semicondutores, sensores de imagem, jogos e entretenimento digital. Ao dividir o risco, a empresa japonesa monetiza sua reputação e seu know-how em imagem e áudio, sem precisar carregar sozinha o peso industrial.

Para a TCL, o acordo é uma porta de entrada no andar de cima do mercado. O que lhe faltava era o selo premium, um território tradicionalmente ocupado por rivais como Samsung e LG, além da própria Sony.  Há também um efeito colateral potencialmente relevante para o consumidor: televisores Bravia mais acessíveis. Com a eficiência industrial chinesa diluindo custos, o que hoje é um produto aspiracional pode se tornar mais próximo da classe média global.

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