O interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia voltou ao centro do debate internacional após novas declarações do presidente Donald Trump. No programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o mestre em Relações Internacionais Uriã Fancelli analisou a escalada retórica do presidente americano, que voltou a defender a anexação do território sob o argumento de conter uma suposta ameaça russa (este texto é um resumo do vídeo acima).
Em publicação feita na rede Truth Social, Trump afirmou que a Dinamarca falhou em afastar o que ele chama de influência russa na Groenlândia e que “chegou a hora” de os Estados Unidos agirem. A fala ocorreu em meio ao aumento da pressão diplomática sobre países europeus e a ameaças de retaliação comercial, como a imposição de tarifas a nações que se posicionem contra a anexação.
A declaração pode ser vista como um ultimato à União Europeia?
Para Uriã, o tom adotado pelo presidente americano sinaliza uma tentativa de intimidação política. Segundo ele, Trump retoma um discurso que já vinha sendo usado desde o primeiro mandato, mas agora com ameaças mais explícitas e com o uso de instrumentos econômicos, como tarifas, para pressionar aliados europeus.
O argumento da “ameaça russa” se sustenta?
Na avaliação do especialista, o discurso não encontra respaldo nos fatos. Os Estados Unidos mantêm uma base militar na Groenlândia desde 1951 e possuem acordos que permitem ampliar sua presença no território. Além disso, a Dinamarca historicamente rejeitou investimentos chineses na ilha justamente por reconhecer sua importância estratégica, o que enfraquece a acusação de negligência europeia.
Qual o impacto desse discurso sobre a Otan?
Fancelli afirmou que, ao acusar a Dinamarca e a Europa de falharem na proteção da Groenlândia, Trump acaba minando a confiança na própria Otan. Para ele, enfraquecer a aliança criada para conter a expansão russa favorece justamente Moscou e compromete a segurança europeia, em vez de fortalecê-la.
Como a Europa reagiu às ameaças americanas?
Segundo o analista, países europeus responderam enviando tropas à Groenlândia, inclusive nações que foram ameaçadas recentemente com tarifas. O objetivo seria duplo: demonstrar que haveria resistência em caso de uma ação mais agressiva dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, desmontar o argumento de que a ilha estaria desprotegida.
Por que Trump insiste nas terras raras da Groenlândia?
Outro ponto recorrente do discurso do presidente americano é a riqueza em terras raras da ilha, apresentadas como vitais para a segurança nacional dos Estados Unidos e para reduzir a dependência da China. Fancelli ponderou, porém, que essa narrativa ignora dados concretos: apesar da existência desses recursos, eles estão em áreas cobertas por gelo e exigiriam anos de investimentos, além de enfrentarem riscos ambientais elevados.
A anexação é um cenário realista?
Na análise do convidado, a retórica de Trump carece de viabilidade prática. As dificuldades econômicas, ambientais e políticas tornam a exploração imediata das riquezas da Groenlândia improvável. Ainda assim, o discurso cumpre o papel de elevar a tensão diplomática e gerar instabilidade na relação entre os Estados Unidos, a Europa e a Otan.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.