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Trump ‘ultrapassou limites’ e Europa está ‘numa encruzilhada’, diz premiê da Bélgica

O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, disse nesta terça-feira, 20, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cruzou “linhas vermelhas” e que a “Europa está numa encruzilhada”. O alerta ocorre após ameaças de Trump de tomar a Groenlândia, região autônoma administrada pela Dinamarca, sob alegações de que a ilha, rica em recursos naturais, é essencial para a segurança nacional dos EUA. Em Davos para o Fórum Econômico Mundial, ele também advertiu que pode ser o fim de uma era de cooperação.

“Até agora, tentamos apaziguar o novo presidente na Casa Branca. Fomos muito lenientes, inclusive com as tarifas. Fomos lenientes na esperança de obter seu apoio para a guerra na Ucrânia. (…) Mas agora tantas linhas vermelhas estão sendo cruzadas que você tem que escolher entre o seu amor-próprio. Ser um vassalo feliz é uma coisa. Ser um escravo miserável é outra bem diferente”, disse De Wever.

“Se você recuar agora, vai perder sua dignidade. E essa é provavelmente a coisa mais preciosa que se pode ter em uma democracia”, acrescentou ele.

Além disso, o premiê informou que Trump se reunirá com o rei Filipe, da Bélgica, na quarta-feira, 21, mas que o encontro “terá um caráter diferente do que tínhamos planejado” e “provavelmente será a mensagem que teremos que transmitir: vocês estão ultrapassando limites”.

“Ou permanecemos unidos ou permanecemos divididos, e se permanecermos divididos, será o fim de uma era, de 80 anos de atlanticismo, que estará realmente chegando ao fim”, continuou. “E você sabe, como disse Gramsci, ‘se o velho está morrendo e o novo ainda não nasceu, você vive em uma época de monstros’, e cabe a ele decidir se quer ser um monstro – sim ou não.”

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Mais cedo, De Wever já havia subido o tom sobre como os líderes europeus devem lidar com o presidente dos EUA. À emissora belga VRT, ele disse: “Nós, como Europa, devemos dizer a Trump: até aqui e não mais. ‘Recue’, ou iremos ‘até o fim’”. O primeiro-ministro belga reconheceu que as críticas de Trump sobre os altos gastos com defesa, mas ponderou que “ameaçar os aliados da Otan com intervenção militar em território da Otan é algo tão sem precedentes que estamos realmente nos aproximando de um ponto de ruptura”.

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Ameaças à Groenlândia

Trump intensificou suas ameaças contra a Groenlândia nas últimas semanas, afirmando que os Estados Unidos assumiriam o controle do território “de um jeito ou de outro” porque isso seria necessário para a segurança nacional. Ele se recusou a descartar o uso da força militar para tomar a ilha, que é protegida por muitas das medidas oferecidas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), já que a Dinamarca é membro de ambas.

O líder americano enviou uma carta ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, em que renovou a intenção de tomar o controle da Groenlândia, um território dinamarquês semiautônomo rico em minérios, e também vinculou suas ameaças à ilha no Ártico ao fato de não ter sido laureado com o Nobel da Paz, informou o jornal norueguês VG nesta segunda-feira, 19.

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No texto, o presidente americano afirmou que, após não ter ganhado o prêmio distribuído por um instituto norueguês independente, não sente mais necessidade de pensar “apenas em paz”.

“Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por eu ter impedido mais de oito guerras, não me sinto mais obrigado a pensar apenas em paz”, disse Trump, acrescentando que agora pode “pensar no que é bom e apropriado” para os Estados Unidos.

Segundo o VG, a carta foi uma resposta a uma mensagem breve que Store e o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, enviaram ao americano. Trump fez campanha intensa para ganhar o Prêmio da Paz do ano passado, que foi concedido a María Corina Machado, líder da oposição venezuelana. Ela recebeu o prêmio em Oslo no mês passado, mas o dedicou a Trump e, na semana passada, deu-lhe a medalha do Nobel de presente.

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Trump intensificou suas ameaças contra a Groenlândia nas últimas semanas, afirmando que os Estados Unidos assumiriam o controle do território “de um jeito ou de outro” porque isso seria necessário para a segurança nacional. Ele se recusou a descartar o uso da força militar para tomar a ilha, que é protegida por muitas das medidas oferecidas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), já que a Dinamarca é membro da organização.

No sábado, ele anunciou que vai impor tarifas de 10% sobre as importações da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia a partir de 1º de fevereiro, até que seu governo seja autorizado a comprar a ilha ártica. “Agora é a hora, e isso será feito!”, o presidente declarou nas redes sociais

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