counter Trump nomeia Marco Rubio e Tony Blair para ‘Conselho da Paz’ em Gaza – Forsething

Trump nomeia Marco Rubio e Tony Blair para ‘Conselho da Paz’ em Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nomeou na sexta-feira, 16, seu secretário de Estado, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair como membros fundadores do “Conselho da Paz” na Faixa de Gaza, anunciou a Casa Branca.

A lista de nomes também inclui, entre os sete integrantes do “conselho executivo fundador”, o enviado especial presidencial Steve Witkoff, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, e Jared Kushner, genro do presidente americano. Os outros integrantes do conselho são o empresário bilionário americano Marc Rowan e Robert Gabriel, assistente de Trump que atua no Conselho de Segurança Nacional. Já o presidente americano vai presidir o órgão.

+ EUA anunciam segunda fase do cessar-fogo em Gaza, que prevê desmilitarização do Hamas

O nome de Tony Blair é visto como uma escolha polêmica, uma vez que o ex-premiê teve participação central na invasão ao Iraque, em 2023.

Segundo a Casa Branca, o Conselho da Paz vai discutir questões como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.

“Esse órgão estabelecerá a estrutura e administrará o financiamento para a reconstrução de Gaza até que a Autoridade Palestina conclua seu programa de reformas, conforme delineado em várias propostas, incluindo o plano de paz do Presidente Trump em 2020 e a proposta saudita-francesa, e possa retomar o controle de Gaza de forma segura e eficaz. Esse órgão recorrerá aos melhores padrões internacionais para criar uma governança moderna e eficiente que sirva à população de Gaza e seja propícia à atração de investimentos”, explica.

Continua após a publicidade

Será colocado em prática um plano de desenvolvimento de Trump para “reconstruir e energizar Gaza” através da “convocação de um painel de especialistas que ajudaram a dar origem a algumas das prósperas cidades modernas e milagrosas do Oriente Médio”, enquanto “uma zona econômica especial será estabelecida com tarifas preferenciais e taxas de acesso a serem negociadas com os países participantes”.

A criação do órgão segue o anúncio, nesta semana, do início da segunda fase do cessar-fogo em Gaza, em vigor desde outubro do ano passado. No X, antigo Twitter, Witkoff, assessor de Trump para o Oriente Médio, advertiu que os EUA esperam que “o Hamas cumpra integralmente suas obrigações, incluindo a devolução imediata do último refém falecido” e que “não cumprimento acarretará sérias consequências”. A nova etapa prevê o desarmamento do grupo palestino radical e o começo da reconstrução do enclave.

O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, também informou que “chegou-se a um consenso sobre os membros” do comitê tecnocrático palestino de 15 pessoas que governará temporariamente a Faixa de Gaza. A formação do grupo faz parte do plano de 20 pontos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que abre caminho para o Estado da Palestina — uma ideia rejeitada por Israel.

Continua após a publicidade

+ Meses após trégua, mais de 100 mil enfrentam fome ‘catastrófica’ em Gaza, diz relatório

O comitê, responsável por administrar diariamente os serviços públicos e os municípios para o povo de Gaza, será supervisionado pelo Conselho da Paz e liderado pelo ex-vice-ministro palestino Ali Shaath. A coordenação entre o Conselho da Paz e o comitê tecnocrático será feita pelo diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores da Bulgária e enviado da ONU para o Iraque, antes de ser designado como enviado da paz para o Oriente Médio entre 2015 e 2020.

Embora um cessar-fogo avançado pelos Estados Unidos esteja em vigor desde 10 de outubro, a situação em Gaza segue delicada, com Israel e Hamas se acusando mutuamente de ferir os termos do acordo. Autoridades de saúde vinculadas à administração do enclave afirmam que ataques israelenses já mataram mais de 400 palestinos desde o início da trégua, enquanto Tel Aviv defende que qualquer ação militar ocorreu em resposta a violações.

Um relatório da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), órgão apoiado pela ONU, apontou no final de dezembro que 100 mil pessoas ainda enfrentam o mais alto nível de fome — Fase 5 na escala da IPC — e vivem em “condições catastróficas” na Faixa de Gaza. O documento reconheceu que o aumento do fluxo de ajuda humanitária após o início do cessar-fogo entre Israel e Hamas, em outubro, possibilitou um maior abastecimento de alimentos, mas advertiu que a crise humanitária não foi aplacada no enclave palestino.

O rastro de escombros é 12 vezes maior do que a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito. De cada 10 edifícios que antes existiam em Gaza, oito foram danificados ou arrasados. Encurralada, restou à população de Gaza tentar fugir dos bombardeios. Mais de 1,9 milhão de pessoas, ou 90% do enclave, foram deslocadas, de acordo com a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA). Em Israel, em comparação, cerca de 100.000 pessoas tiveram de deixar suas casas.

Publicidade

About admin