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Trump, Fed e juros: entenda a instabilidade que preocupa investidores

O início de 2026 tem sido marcado por uma combinação explosiva de tensões geopolíticas e incertezas econômicas — e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ocupar o centro desse tabuleiro. Após um breve período de moderação no fim do ano passado, o republicano retomou ataques diretos à independência do Federal Reserve (Fed), reacendendo temores nos mercados sobre interferência política na condução da política monetária americana (este texto é um resumo do vídeo acima).

O movimento ocorre em meio a uma sequência de episódios que aumentaram a percepção de risco global: a intervenção americana na Venezuela, o recrudescimento das tensões com o Irã, a retomada do discurso protecionista e, agora, o confronto aberto com o banco central mais poderoso do mundo. O resultado tem sido um ambiente de maior volatilidade e cautela entre investidores.

Independência do Fed volta ao centro do debate

Para o analista Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos, o ponto mais sensível dessa nova ofensiva é o questionamento público à autonomia do Fed — uma instituição historicamente tratada como pilar de estabilidade da economia americana. “Quando o presidente passa a atacar a independência do banco central, o impacto vai muito além dos Estados Unidos. Isso contamina a percepção global de risco”, afirma.

Segundo ele, a reação dos mercados não se deve apenas ao discurso, mas ao histórico de Trump. “Ele já deixou claro que gostaria de juros mais baixos por decisão política. O problema é que juros não se reduzem por decreto. Há fatores estruturais que não podem ser ignorados”, diz.

Sinal de alerta entre bancos centrais

A reação internacional veio rapidamente. Presidentes de bancos centrais ao redor do mundo passaram a reforçar, em discursos e comunicados, a importância da independência das autoridades monetárias — um recado indireto, mas claro, à Casa Branca. A leitura predominante é que qualquer sinal de captura política do Fed comprometeria a credibilidade da política monetária americana, com reflexos diretos sobre inflação, dólar e fluxo de capitais.

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“O Fed sempre foi uma referência global. Quando essa referência é colocada em dúvida, todo o sistema sente”, avalia Moliterno. Para ele, o movimento atual lembra momentos de maior estresse institucional, em que o mercado passa a precificar não apenas dados econômicos, mas também riscos políticos.

O fator Trump e a imprevisibilidade

Parte do nervosismo decorre da imprevisibilidade do presidente americano. No fim de 2025, após queda em sua popularidade, Trump havia adotado um discurso mais conciliador, inclusive revendo posições sobre tarifas comerciais. Bastou a virada do ano para que o tom voltasse a se radicalizar.

“É um padrão que o mercado já conhece, mas nunca se acostuma. A cada nova escalada, cresce o prêmio de risco”, diz o analista. A dúvida central agora é sobre o futuro comando do Fed, já que Jerome Powell deixará a presidência da instituição nos próximos meses, embora siga no conselho até 2028.

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A grande questão, segundo Moliterno, é se o sucessor manterá a tradição de independência ou adotará uma postura alinhada ao desejo político da Casa Branca. “Esse é o ponto que gera instabilidade. O mercado quer previsibilidade. Trump oferece exatamente o oposto.”

Um começo de ano sob tensão

Somadas às crises geopolíticas em curso, as incertezas sobre a política monetária americana criam um ambiente particularmente delicado para os mercados no início do ano. Investidores globais passaram a adotar postura mais defensiva, enquanto ativos de risco enfrentam maior volatilidade.

“O mundo ainda depende dos Estados Unidos como âncora econômica. Quando essa âncora balança, todo o resto balança junto”, resume Moliterno.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Mercado (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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