A líder oposicionista venezuelana María Corina Machado voltou a se manifestar nesta segunda-feira, 5, sobre a operação militar dos Estados Unidos que levou à deposição do ditador Nicolás Maduro. Apesar do presidente americano, Donald Trump, tê-la escanteado em pronunciamento no sábado 3, a Nobel da Paz foi às redes sociais para reiterar seu agradecimento a Washington pela intervenção e disse novamente que “a liberdade está próxima” para a Venezuela.
Em publicação no X (ex-Twitter), Machado comemorou as manifestações favoráveis à operação americana, afirmando que venezuelanos em 30 países e 130 cidades ao redor do mundo saíram às ruas “para celebrar um passo gigantesco que marca a inevitabilidade e a iminência da transição na Venezuela”.
“Nós, venezuelanos, agradecemos ao presidente Donald Trump e à sua administração pela firmeza e determinação em defender a lei. A Venezuela será o principal aliado dos Estados Unidos em questões de segurança, energia, democracia e direitos humanos”, escreveu ela. “A liberdade para a Venezuela está próxima e, em breve, celebraremos em nossa pátria. Gritaremos, rezaremos e nos abraçaremos como famílias, porque nossos filhos voltarão para casa”, completou, em referência à diáspora de quase 8 milhões de pessoas que deixaram seu país devido à ditadura.
Machado, que foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz 2025 por sua luta pela democracia, lidera a oposição da Venezuela desde 2023, quando venceu as primárias para disputar o pleito de julho do ano seguinte contra Maduro. Sua candidatura, porém, foi barrada por uma manobra do regime, e ela endossou o desconhecido diplomata Edmundo González Urrutia para representar a ala oposicionista. Apesar de acusações de fraude e evidências contrárias, Maduro declarou-se reeleito e, em janeiro do ano passado, tomou posse para um novo mandato de seis anos.
Desde então, ela passou a viver escondida na Venezuela e, devido à perseguição, González fugiu para o exílio em Madri. Machado decidiu deixar o país em novembro para comparecer à cerimônia de entrega do Nobel em Oslo, e desde então não voltou.
Apesar dos resultados eleitorais apontarem vitória de González e dele ter sido reconhecido presidente eleito da Venezuela pelos Estados Unidos, União Europeia e diversos países na América Latina, Trump não defendeu que ele (ou sua mentora política) assumissem o governo após a deposição de Maduro.
Em coletiva de imprensa no sábado 3, o presidente americano afirmou que Machado “é uma mulher simpática”, mas disse que ela não tem apoio suficiente para liderar uma transição. Ao invés disso, sugeriu que os Estados Unidos “vão governar” a Venezuela por tempo indeterminado, sem dar detalhes sobre o como ou até quando, até que seja possível realizar uma transição “justa e sensata”.
Também afirmou que a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina da Venezuela, concordou em “fazer o que for necessário” para atingir os interesses americanos. Ela, no entanto, criticou a operação em Caracas como uma “agressão à soberania” e demandou a libertação de Maduro, que nesta segunda compareceu à sua primeira audiência em Nova York para enfrentar acusações de “narcoterrorismo” ao lado da esposa, Cilia Flores. Ele deve permanecer detido até a próxima ida ao tribunal, marcada para 17 de março.
Machado defendeu que González assuma a presidência da Venezuela “imediatamente”, fazendo cumprir o que disse ser seu mandato por direito mediante os resultados das últimas eleições. Apesar de ter sido escanteada por Trump, ela continua emitindo apoio à intervenção.