O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criou uma tempestade nas redes sociais na noite de segunda-feira 19, compartilhando capturas de tela de mensagens de líderes europeus sobre a Groenlândia e reiterando veementemente seu desejo de tomar controle da ilha. O episódio ocorreu poucos dias antes dele se encontrar com uma multidão de mandatários no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Entre os “prints” que Trump publicou estava uma mensagem de texto do presidente da França, Emmanuel Macron, cuja autenticidade foi confirmada pela emissora americana CNN. “Não entendo o que você está fazendo na Groenlândia”, escreveu o francês, após afirmar que ele e Trump estavam alinhados em questões como Síria e Irã. Macron também se ofereceu para marcar uma reunião com os líderes do G7 após Davos e convidou Trump para jantar em Paris.
Separadamente, o republicano também publicou uma captura de tela de uma mensagem supostamente enviada pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, na qual elogia Trump e afirma estar “comprometido em encontrar uma solução para a questão da Groenlândia”. Em uma publicação anterior, Trump disse ter tido um “ótimo telefonema” com Rutte sobre o tema e concordou em se reunir com “as várias partes” em Davos.
Em outro post, o presidente americano lançou críticas duras à decisão do Reino Unido de transferir o controle do Arquipélago de Chagos para as Ilhas Maurício, mas mantendo o controle da base militar EUA-Reino Unido no maior atol do arquipélago, Diego Garcia. Trump chamou a medida de “um ato de GRANDE ESTUPIDEZ”, e vinculou-a às suas aspirações em relação à Groenlândia. Segundo ele, a ação era “mais uma em uma longa lista de razões de Segurança Nacional pelas quais a Groenlândia precisa ser adquirida”.
A divulgação das mensagens, uma aparente quebra de confiança, ocorreu na véspera da partida de Trump nesta terça para a Suíça, onde a crescente disputa sobre a Groenlândia já tomou conta do fórum. Na segunda-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse ter discutido a escalada da rixa entre Estados Unidos e Europa com uma delegação do Congresso americano em Davos, ressaltando a soberania da ilha e da Dinamarca.