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Trump diz que Zelensky, não Putin, trava acordo de paz na Ucrânia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu homólogo na Rússia, Vladimir Putin, está mais disposto a fazer um acordo de paz do que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. A declaração foi dada em entrevista à agência de notícias Reuters na quarta-feira 14. Desde que retornou à Casa Branca no início de 2025, Trump tem empreendido esforços para encerrar a guerra na Ucrânia, que completará quatro anos em fevereiro, mas ainda não obteve sucesso.

“Acho que ele está pronto para fazer um acordo”, afirmou o republicano, referindo-se a Putin. Em relação ao lado oposto do conflito, Trump acrescentou que “a Ucrânia está menos disposta a fazer um acordo”. Questionado sobre por que seus esforços de pacificação ainda não resultaram no fim da guerra, o presidente americano respondeu de forma direta: “Zelensky”.

O posicionamento do republicano não surpreende, uma vez que já responsabilizou outras vezes o líder ucraniano pela falta de sucesso nas negociações. Trump parece ver seu homólogo na Ucrânia como um obstáculo, embora Zelensky tenha se mostrado mais disposto a fazer concessões visando um cessar-fogo do que Putin, que não arredou o pé de suas exigências maximalistas — entre elas, a anexação de toda a região do Donbass.

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Questionado se Zelensky tem travado as negociações de alguma forma, Trump não entrou em detalhes, apenas dizendo que ele “está tendo dificuldades para chegar lá”. As recentes negociações lideradas pelos Estados Unidos focaram nas garantias de segurança para a Ucrânia no pós-guerra, e há pressão por parte dos americanos para que Kiev ceda o Donbass como parte de qualquer acordo. Zelensky constantemente descarta a possibilidade de abrir mão de territórios, algo proibido pela Constituição do país, embora já tenha insinuado que estaria disposto a realizar um referendo (mediante um cessar-fogo) para consultar a população sobre uma mudança no texto.

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Trump afirmou que pode se encontrar com Zelensky no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na próxima semana, mas que não há nada oficialmente planejado. “Eu me encontraria (com ele), se ele estiver lá”, disse, confirmando sua própria presença.

Os líderes não começaram sua relação da melhor forma durante o segundo mandato do republicano, com direito a um bate-boca público em plena Casa Branca em fevereiro do ano passado. No entanto, a tensão entre a dupla diminuiu gradativamente ao longo dos meses. Em dezembro, o ucraniano viajou a Mar-a-Lago, clube privado de Trump na Flórida, para discutir o conflito. Na época, o encontro foi celebrado como um sucesso, ainda que pontos importantes para o fim da guerra — notadamente, as concessões territoriais — sigam em aberto.

A postura de Trump, que parece aceitar sem questionar as garantias de Putin em detrimento das de aliados dos Estados Unidos, causa incômodo em Kiev, além de preocupação entre líderes europeus e congressistas americanos. Na visão de autoridades da União Europeia, Moscou dificilmente aceitará os termos determinados por negociações. Além disso, relatórios da inteligência americana divulgados em dezembro seguiam alertando que o presidente russo não abdicou de seu interesse em capturar toda a Ucrânia e restaurar antigas possessões soviéticas.

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