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Trump diz que EUA vão intervir se Irã matar manifestantes; Teerã reage com ameaças e fala em caos regional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (2) que Washington poderá intervir caso as autoridades iranianas reprimam de forma letal os protestos que se espalham pelo país. Em publicação na rede Truth Social, o republicano escreveu que os EUA estão “prontos para agir” e advertiu que, se o regime “atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos”, os americanos “virão em seu socorro”. Não detalhou, porém, que tipo de ação estaria em consideração.

A resposta de Teerã foi imediata. Ali Larijani, assessor do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, disse que Trump deveria “ter cuidado” e alertou que qualquer interferência dos EUA nos assuntos internos do Irã levaria à “desestabilização de toda a região” e colocaria em risco interesses americanos no Oriente Médio.

As declarações elevam a tensão num momento em que o Irã enfrenta a onda de protestos mais ampla desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini sob custódia policial desencadeou manifestações nacionais. Desta vez, os atos começaram no fim de dezembro, em Teerã, puxados por comerciantes revoltados com a nova desvalorização do rial frente ao dólar e a escalada do custo de vida. A inflação anual chegou a 42,2% em dezembro, com alta de 72% nos preços dos alimentos, segundo dados citados por agências internacionais.

Desde então, os protestos se espalharam para outras cidades e ganharam adesão de estudantes universitários. Em diversas localidades, manifestantes passaram a entoar palavras de ordem contra o regime clerical e, em alguns casos, a pedir o fim do governo de Khamenei. Vídeos verificados por veículos internacionais mostram confrontos com forças de segurança, carros incendiados e bloqueios de ruas.

Ao menos seis pessoas morreram na quinta-feira (1º), segundo a imprensa iraniana e grupos de direitos humanos. A agência semioficial Fars noticiou mortes nas cidades de Lordegan, Azna e Kouhdasht, sem esclarecer se as vítimas eram civis ou agentes de segurança. A ONG Hengaw afirmou que dois dos mortos em Lordegan eram manifestantes. As informações não puderam ser verificadas de forma independente.

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O governo iraniano adotou um discurso ambíguo. O presidente Masoud Pezeshkian disse estar disposto a ouvir “demandas legítimas” da população, numa tentativa de sinalizar abertura. Já o procurador-geral Mohammad Movahedi-Azad advertiu que qualquer tentativa de “criar instabilidade” será enfrentada com uma “resposta decisiva”, indicando que a repressão seguirá como opção.

O embate verbal ocorre em um contexto já deteriorado das relações entre Washington e Teerã. Desde que Trump retirou os EUA do acordo nuclear em 2018 e restabeleceu sanções severas, a economia iraniana entrou em espiral de crise. Em junho do ano passado, os EUA realizaram ataques a instalações nucleares iranianas, alegando frear o avanço do programa atômico. O Irã respondeu com um ataque de mísseis contra uma grande base americana no Catar, ampliando o risco de confronto direto.

Nos últimos dias, Trump voltou a ameaçar novas ações militares caso o Irã tente reconstruir seu programa nuclear ou ampliar arsenais balísticos. Paralelamente, Washington anunciou sanções contra indivíduos e empresas no Irã e na Venezuela acusados de envolvimento em comércio de armas.

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Analistas ouvidos por veículos como Reuters e CNBC avaliam que os protestos atuais combinam fatores econômicos imediatos com um desgaste político acumulado. Para Suzanne Maloney, do think tank Brookings Institution, as palavras de ordem indicam que parte da população não pede apenas alívio econômico, mas mudanças estruturais no regime. Ainda assim, especialistas lembram que manifestações anteriores, embora intensas, foram contidas com repressão e não levaram a uma ruptura no poder.

Ao sinalizar disposição para intervir, Trump reforça sua estratégia de confronto com Teerã e se coloca, retoricamente, ao lado dos manifestantes. Para o Irã, a fala serve como argumento para denunciar ingerência externa e justificar medidas mais duras de segurança. O resultado imediato é a elevação do risco de escalada, num Oriente Médio já pressionado por conflitos cruzados, rivalidades regionais e o impasse em torno do programa nuclear iraniano.

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