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Trump ameaça líderes venezuelanos e diz que EUA vão impor política a Caracas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez novas ameaças à cúpula do poder na Venezuela e afirmou que Washington passará a ditar as principais políticas do país após a captura de Nicolás Maduro. Em declarações no domingo (4), Trump disse que a líder interina venezuelana, Delcy Rodríguez, terá de cumprir exigências americanas ou enfrentará uma situação “provavelmente pior” do que a de seu antecessor.

“Se eles não se comportarem, haverá um segundo ataque”, afirmou o presidente a jornalistas a bordo do avião presidencial, ao retornar da Flórida a Washington. Segundo Trump, Rodríguez estaria “cooperando”, mas precisará atender às condições impostas pelos EUA.

As declarações ocorrem em meio à indefinição sobre o real alcance da intervenção americana na Venezuela. Após a operação que resultou na prisão de Maduro, Trump afirmou no sábado que os Estados Unidos iriam “administrar” o país, o que gerou dúvidas sobre uma eventual ocupação militar ou tutela direta.

No domingo, o secretário de Estado, Marco Rubio, buscou relativizar a fala do presidente. Em entrevistas à televisão americana, disse que Washington não pretende ocupar nem governar formalmente a Venezuela, mas sim impor diretrizes políticas ao novo comando em Caracas. “Não se trata de administrar o país, mas de administrar a política relacionada a isso”, afirmou.

Apesar disso, Trump voltou a usar termos que sugerem controle direto. Questionado sobre o que espera de Rodríguez, disse que os EUA precisam de “acesso total”, incluindo ao setor de petróleo e a outros recursos estratégicos. “Vamos comandar, consertar o país”, declarou, acrescentando que Washington está agora “no comando” da Venezuela.

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Horas depois, Rodríguez divulgou um comunicado em tom conciliador, publicado nas redes sociais, no qual afirmou que a Venezuela está disposta a “colaborar” com os Estados Unidos em uma agenda de cooperação voltada ao “desenvolvimento compartilhado”, dentro das normas do direito internacional.

Cuba e Colômbia na mira

Trump também afirmou que a ofensiva contra a Venezuela pode precipitar o colapso do regime cubano, histórico aliado de Caracas. Havana fornece há anos apoio de inteligência e segurança ao chavismo, além de médicos, em troca de petróleo subsidiado.

“Aquilo vai cair. Não acho que tenhamos feito nada diretamente, mas está desmoronando”, disse Trump, referindo-se ao governo cubano. Pouco depois, Cuba confirmou que 32 soldados cubanos morreram durante a operação americana na Venezuela, que classificou como “ato criminoso de agressão e terrorismo de Estado”.

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O presidente americano também ameaçou a Colômbia, sugerindo que uma ação militar no país “parece uma boa ideia”. Trump chamou o presidente colombiano, Gustavo Petro, de “doente” e o acusou de tolerar o narcotráfico. A retórica elevou a tensão regional e provocou reações diplomáticas em Bogotá.

Rubio afirmou que os Estados Unidos já exercem pressão sobre Caracas por meio do controle das exportações de petróleo sancionado e que “todas as opções” seguem sobre a mesa, inclusive o uso de tropas, hipótese que Trump não descartou.

Segundo o secretário de Estado, Washington exigirá mudanças concretas do novo comando venezuelano, incluindo que a indústria petrolífera opere “em benefício da população”, o combate ao tráfico de drogas e a gangues criminosas, a expulsão de grupos armados colombianos como Farc e ELN e o fim de vínculos com Hezbollah e Irã.

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Eleições indefinidas

Trump descartou apoiar publicamente nomes da oposição venezuelana, como María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, ou Edmundo González, apontado por observadores internacionais como vencedor das eleições de 2024. “As eleições virão no momento certo”, disse.

Rubio afirmou admirar ambos, mas defendeu “realismo” no processo de transição. “Eles estão sob esse sistema chavista há 15 ou 16 anos. Não é realista esperar um calendário eleitoral no dia seguinte à prisão de Maduro”, afirmou.

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, declarou em pronunciamento na TV estatal que as Forças Armadas foram colocadas em alerta máximo diante do que chamou de “brutal ataque à soberania nacional”. Ao lado do alto comando militar, reconheceu Delcy Rodríguez como autoridade legítima para exercer as funções presidenciais.

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“O que hoje acontece com a Venezuela amanhã pode ocorrer com qualquer outro país”, disse Padrino López, acusando os EUA de tentarem impor uma lógica “colonial” inspirada na Doutrina Monroe sobre a América Latina e o Caribe.

No mercado internacional, a ofensiva americana teve reflexo imediato. O preço do petróleo caiu na segunda-feira (5), com o barril do Brent recuando 1,1% e o do WTI, referência nos EUA, caindo 0,9%, em meio à incerteza sobre o futuro da produção venezuelana sob influência direta de Washington.

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