Um tribunal de Paris considerou nesta segunda-feira, 5, 10 pessoas culpadas de assédio on-line contra a primeira-dama da França, Brigitte Macron, alvo de uma campanha de ódio que disseminou informações falsas sobre o seu gênero e sexualidade, incluindo teorias da conspiração de que seria, na verdade, um homem. Os dez foram obrigados a participar de treinamentos contra cyberbullying. Um deles foi condenado a seis meses de prisão, ao passo que oito receberam penas suspensas de quatro a oito meses.
No banco de réus, estavam os oito homens e duas mulheres com idades entre 41 e 60 anos. O grupo incluiu um político eleito, um galerista, um especialista em TI, um professor, um gerente de imóveis e um empresário. A emissora americana BFMTV revelou que o executivo de publicidade Aurélien Poirson-Atlan, de 41 anos, que usa o pseudônimo “Zoé Sagan” nas redes sociais, também estava entre os acusados. Sua conta no X, antigo Twitter, replica teorias da conspiração e já foi suspensa por denúncias de usuários.
Segundo os conspiracionistas, Brigitte teria nascido Jean-Michel Trogneux, nome de seu irmão. Para além de alegar que Brigitte não é mulher, o grupo também definiu a diferença de idade entre a primeira-dama e o presidente Emmanuel Macron, de 24 anos, como uma forma de “pedofilia”. Ela não compareceu ao julgamento de dois dias em outubro.
Sua filha, Tiphaine Auzière, disse ao tribunal que os comentários maldosos levaram à “deterioração” da vida de sua mãe, acrescentando: “Ela (Brigitte) não pode ignorar as coisas horríveis ditas sobre ela”. Ela também afirmou que o ódio on-line teve efeitos nocivos à sua família inteira, incluindo os netos de Macron.
A decisão de entrar com um processo foi motivada pelo desejo de “dar o exemplo” na luta contra o assédio, disse Brigitte à emissora nacional TF1 no domingo 6. Após a divulgação do veredito, sua advogada, Jean Ennochi, salientou que “o importante é que haja treinamentos imediatos de conscientização sobre o cyberbullying e, para alguns dos réus, a proibição do uso de suas contas nas redes sociais.”
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Caso contra Owens
No ano passado, o líder francês e Brigitte também moveram um processo de difamação contra a podcaster de extrema direita Candace Owens em Delaware, nos Estados Unidos, após a influenciadora alegar que ela poderia ser um homem.
A podcaster ultraconservadora teria liderado “uma campanha implacável de difamação contra os Macrons, que durou um ano”, segundo a denúncia. Em março, ela aderiu ao conspiracionismo sobre o gênero de Brigitte através de um vídeo publicado no YouTube intitulado “A Primeira-Dama da França é um Homem?”, definindo a história como “provavelmente o maior escândalo da história política”.
De lá para cá, a influenciadora produziu vários vídeos para a série “Becoming Brigitte” (algo como “Tornando-se Brigitte” em português, sugerindo que a primeira-dama é uma farsa). Owens tem uma plataforma de quase 4,5 milhões de inscritos no YouTube, além de 6,4 milhões de seguidores no Instagram. Em outras publicações, ela também alegou que o líder francês é “muito claramente homossexual”.