Depois de quase seis anos de disputas judiciais, pressão do Congresso e tensão diplomática entre Washington e Peququim, o TikTok anunciou um acordo para criar uma nova entidade nos Estados Unidos, com controle majoritário de investidores não chineses. A medida busca afastar o risco de uma proibição federal do aplicativo e garantir sua permanência no país.
Pelo acordo, a controladora chinesa ByteDance reduzirá sua participação para menos de 20% da operação americana. Mais de 80% da nova empresa ficará nas mãos de um consórcio liderado pela Oracle, pela gestora MGX, dos Emirados Árabes Unidos, e pela Silver Lake, além de investidores financeiros ligados ao fundador da Dell Technologies. O ex-chefe de operações do TikTok, Adam Presser, assumirá o comando da nova companhia nos EUA.
O arranjo foi desenhado para atender à lei aprovada em 2024 pelo Congresso americano, e validada pela Suprema Corte, que exigia a separação do TikTok da ByteDance até o início de 2025, sob pena de banimento. O prazo chegou a provocar um apagão temporário do aplicativo no país, antes de ser prorrogado por decisões do então presidente Donald Trump, que pressionou por um acordo de mercado em vez da retirada do app.
Na prática, o TikTok americano terá conselho com maioria de membros dos Estados Unidos e será responsável pela moderação de conteúdo no país.
Trump celebrou o acordo em sua rede social, classificando os novos controladores como “grandes patriotas” e atribuindo ao TikTok parte de seu bom desempenho entre eleitores jovens na eleição de 2024. Ainda assim, especialistas alertam que a troca do risco de influência estrangeira pelo de interferência política doméstica não elimina as controvérsias em torno da plataforma.