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Técnico de enfermagem é investigado por matar pacientes em UTI de Brasília

O filme O Enfermeiro da Noite é baseado na história real de um profissional nos Estados Unidos, Charles Cullen, que assassinava pacientes internados em hospitais, utilizando medicações. Conhecido como Anjo da Morte, o enfermeiro teria matado pelo menos 40 pacientes nas décadas de 80 e 90.

Nesta semana, a Polícia Civil de Brasília começou a desvendar um caso que de certa maneira guarda semelhanças com o filme. O técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, foi preso acusado de matar pelo menos três pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga, com a ajuda de duas outras técnicas.

Na manhã de 11 de janeiro, a Polícia Civil do DF deflagou a Operação Anúbis — uma referência ao deus egípcio da mumificação, dos mortos e do submundo — para apurar três homicídios ocorridos no hospital em novembro e dezembro do ano passado.

A investigação mostra que as três mortes ocorreram na UTI e foram atribuídas à atuação criminosa do técnico de enfermagem, que teria injetado substâncias tóxicas na veia das vítimas. Uma paciente faleceu após receber dez injeções de desinfetante de pia nas veias, apontam a apuração policial.

As três vítimas são o supervisor da Companhia de Saneamento Ambiental João Clemente Pereira, de 63 anos, o carteiro Marcos Moreira, de 33 anos, e a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. Os três receberam medicamentos e substâncias tóxicas antes de falecer.

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“Os elementos coletados são muito robustos, nós temos os vídeos demonstrando as ações dessas pessoas e temos também a análise do prontuário médico”, diz o delegado Wisllei Salomão, da Polícia Civil de Brasília. “Ele escondeu os medicamentos no jaleco e aplicou esses medicamentos nas veias dos pacientes”, disse.

Os crimes teriam começado quando Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo teria acessado os computadores do hospital que eram utilizados exclusivamente pelos médicos. O auxiliar de enfermagem teria falsificado receitas para prescrever medicamentos de uso restrito e que poderiam matar os pacientes.

Em seguida, Marcos Vinícius utilizava estes documentos falsos para retirar os medicamentos na farmácia do hospital. Lá, requisitava também as seringas que utilizaria para injetar os remédios nas veias das vítimas. A investigação foi iniciada pelo próprio hospital, que identificou mortes suspeitas dos pacientes.

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De acordo com as investigações, Miranilde Pereira teve uma das mortes mais trágicas. O técnico de enfermagem é investigado por aplicar quatro injeções de medicamento para provocar paradas cardíacas e a matar. Em seguida adicionou injeções de desinfetante de pia na veia da paciente.

“Essa vítima teve seis paradas cardíacas. Como ela não faleceu, e como o medicamento havia acabado, ele utilizou de um desinfetante que estava na pia do leito. Ele encheu cerca de 13 seringas e injetou diretamente na veia da paciente, e isso também causou o óbito dela”, disse o delegado Wisllei Salomão.

A Polícia Civil investiga a participação de duas outras técnicas de enfermagem na morte dos pacientes. Uma delas é Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, que fazia estágio com Marcos Vinícius. A outra, Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, é investigada por ajudar fazendo a vigília do local enquanto os pacientes eram mortos.

Os investigadores estão levantando indícios de mais mortes do enfermeiro, que já prestou serviços para outros hospitais, inclusive em uma UTI neonatal. VEJA ainda não conseguiu contactar a defesa dos investigados. Este espaço segue aberto para manifestações dos advogados.

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