O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou nesta terça-feira, 20, estar confiante de que pode chegar a um acordo com a Europa para que os Estados Unidos anexem a Groenlândia, descartando as preocupações de nações do velho continente com uma possível guerra comercial decorrente das tensões como mera “histeria”.
A perspectiva de uma briga no comércio internacional pareceu mais próxima depois de Donald Trump anunciar no último sábado uma tarifa de 10% sobre os produtos de países europeus que se opuserem à aquisição da ilha no Ártico, uma região semiautônoma do Reino da Dinamarca.
A União Europeia sustenta que as novas taxas, previstas para vigorarem a partir de 1º de fevereiro, violariam o acordo comercial firmado com os Estados Unidos no ano passado, e os líderes do bloco devem discutir possíveis retaliações em uma cúpula de emergência em Bruxelas na quinta-feira, 22. Uma das opções é um pacote de tarifas sobre 93 bilhões de euros (cerca de R$ 587,8 bilhões) em importações americanas, que poderia entrar em vigor automaticamente em 6 de fevereiro.
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“Acalmem-se”
Apesar disso, Bessent garantiu que é possível encontrar uma solução que preserve a segurança nacional tanto dos Estados Unidos como da Europa.
“Se passaram só 48 horas. Como eu disse, relaxem”, declarou ele a jornalistas à margem do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. “Estou confiante de que os líderes não irão intensificar o conflito e que tudo se resolverá de uma forma muito positiva para todos.”
Questionado sobre a possibilidade de uma guerra comercial prolongada entre Estados Unidos e Europa, o secretário do Tesouro afirmou que isso é uma visão “precipitada”. “Por que estamos considerando o pior cenário? Acalmem-se. Respirem fundo”, respondeu.
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Bessent também descartou a possibilidade da União Europeia recorrer, pela primeira vez, ao chamado Instrumento Anticoerção, uma poderosa medida comercial entre as diretrizes do bloco que poderia limitar o acesso dos Estados Unidos a licitações públicas, investimentos ou atividades bancárias, ou restringir o comércio de serviços.
Não há, porém, sinal de resolução para o impasse. De um lado, Trump insiste repetidamente que não aceitará nada menos do que a posse da Groenlândia. Os líderes da ilha e da Dinamarca e afirmaram que o território não está à venda. Os groenlandeses afirmam em pesquisas que não desejam fazer parte dos Estados Unidos.