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Saiba tudo que impacta no coração das mulheres nas diversas fases da vida

A alta mortalidade feminina por doenças cardiovasculares – a cada 12 minutos uma mulher morre por infarto e a cada dez, por acidente vascular cerebral (AVC) – fez com que especialistas se mobilizassem para entender melhor as causas desse cenário. Isso porque a compreensão do que influencia no desencadeamento desses eventos contribui para otimizar o controle junto a este público.

O “Posicionamento sobre a Saúde Cardiometabólica ao Longo do Ciclo de Vida da Mulher“, recentemente lançado, aborda desde fatores de risco deflagrados pelo corpo da mulher – apenas pelo fato de “ser” mulher – até prevenção e manejo de doenças cardiometabólicas, considerando todas as fases da vida feminina: infância, idade reprodutiva, gestação, puerpério, menopausa e pós-menopausa.

Entre os objetivos, está oferecer ferramentas para que os médicos compreendam melhor o que tende a alavancar muitas das doenças cardiovasculares nas pacientes. O destaque vai para as reações e contrarreações do organismo da mulher.

A menarca precoce – primeira menstruação – é um exemplo. Normalmente incide sobre meninas com obesidade, uma vez que essa reserva energética promove ativação hormonal. É passível de causar doenças cardiovasculares futuras, pois eleva a probabilidade de hipertensão, dislipidemia e resistência à insulina. Já a menarca tardia – que ocorre devido a transtornos alimentares, como anorexia, ou até excesso de exercícios físicos – também se associa a problemas cardiometabólicos futuros.

As irregularidades menstruais – especialmente a síndrome dos ovários policísticos, quando há flutuações hormonais – pode aumentar a chance de hipertensão, obesidade, alterações do perfil lipídico, alta de triglicérides e do colesterol LDL.

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Da mesma forma, a diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, infertilidade, uso de contraceptivos, terapia hormonal na menopausa, a própria menopausa, queda estrogênica, redistribuição de gordura corporal e até complicações obstétricas fazem parte da lista de desencadeadores de riscos.

São precedentes que deixam “janelas” abertas para futuras ocorrências, como infarto, AVC ou insuficiência cardíaca. Além de todo o repertório de suscetibilidades cardiovasculares por causa do sistema reprodutivo, ainda há aspectos relacionados à saúde mental da mulher que, comprovadamente, estão mais sujeitas ao estresse, depressão, sobrecarga por acúmulo de tarefas (trabalho, cuidados com a casa e família) e negligenciam autocuidados, priorizando a atenção a terceiros.

Alerta permanente

A necessidade de identificar precocemente o risco elevado para doenças cardiovasculares em mulheres se justifica porque, quanto mais cedo se detecta uma propensão, mais cedo as intervenções podem ser adotadas ao invés de esperar manifestações clínicas mais severas.

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Entre as atitudes prévias que devem ser tomadas, estão: mudanças para um estilo de vida mais saudável, com dieta balanceada e atividade física na rotina. Na maioria das vezes, isso já será suficiente para minimizar desfechos mais graves.

Em outros casos, os especialistas precisarão prescrever fármacos ou até indicar intervenções cirúrgicas. Vale lembrar que, historicamente, mulheres são subdiagnosticadas e subtratadas. Por isso, o posicionamento, que foi elaborado por dezenas de especialistas do Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, recomenda também uma atuação articulada e proativa por parte de cardiologistas, ginecologistas/obstetras e endocrinologistas para monitoramento da saúde feminina em todas as fases do ciclo de vida.

Essas medidas profiláticas tendem a melhorar os resultados a longo prazo, com menos mortalidade, menos eventos cardiovasculares e melhor qualidade de vida para todas.

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*Maria Cristina Izar é cardiologista, presidente da Socesp (biênio 2024/2025) e professora adjunta livre docente da Disciplina de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

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