A Rússia afirmou nesta sexta-feira, 29, que as propostas feitas pela Europa sobre as garantias de segurança que a Ucrânia pode receber em um cenário pós-guerra como parte de um acordo de paz são “unilaterais” e perigosas, porque transformariam Kiev em um “provocador estratégico” nas fronteiras russas e aumentariam o risco de conflito entre Moscou e o Ocidente.
Os aliados europeus da Ucrânia estão trabalhando para elaborar um conjunto de garantias que poderia fazer parte de um potencial tratado para encerrar o conflito, projetado para proteger Kiev de possíveis ataques futuros da Rússia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse na quinta-feira 28 que espera que um plano estruturado seja definido já na próxima semana.
“As garantias de segurança devem se basear em um entendimento comum que leve em consideração os interesses de segurança da Rússia”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, nesta sexta-feira.
Em uma coletiva de imprensa em Moscou, ela declarou que as propostas atuais eram “unilaterais e claramente projetadas para conter a Rússia”.
“A linha atual viola o princípio da segurança indivisível e atribui a Kiev o papel de provocador estratégico nas fronteiras da Rússia, aumentando o risco de a aliança (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Otan) se envolver em um conflito armado com o nosso país”, afirmou Zakharova.
Moscou já havia declarado que não gosta das propostas europeias e que não aceitará a presença de soldados de qualquer um dos 32 países-membros da Otan em território ucraniano.
Garantias de segurança
Após reuniões separadas que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conduziu com seu homólogo russo, Vladimir Putin, e líderes europeus, incluindo Zelensky, ele prometeu que a Ucrânia receberá “muita ajuda” como parte de um acordo para encerrar a guerra — embora tenha apenas aludido à possibilidade dos Estados Unidos contribuírem com as defesas aéreas do país. Mas os chefes de Estado e de governo da Europa começaram a explorar possíveis formatos de garantias de segurança num cenário pós-guerra.
É provável que até 30 países – a chamada “coalizão dos dispostos” – estejam envolvidos, com alguma ajuda de Washington, embora o que isso significa na prática não esteja claro. O apoio poderia tomar muitas configurações, mas as principais são: 1) presença de tropas estrangeiras na Ucrânia; 2) compartilhamento de inteligência; 3) segurança aérea e naval, com foco no Mar Negro; 4) recursos financeiros para fortalecer o próprio exército ucraniano. Os rumos das negociações são vagos. Pode ser que apenas um desses formatos, ou todos juntos, ou uma combinação deles faça parte do acordo final.
A Rússia reiterou repetidamente que não aceitaria o envio de forças europeias para a Ucrânia, coisa que França e Reino Unido se disseram dispostos a fazer, enquanto Trump descartou a possibilidade de contribuir com soldados americanos. Depois dos líderes europeus se encontrarem com Trump na Casa Branca na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores russo disse que “rejeita categoricamente qualquer cenário que preveja o aparecimento na Ucrânia de um contingente militar com a participação de países da Otan”.