A Rússia lançou uma nova ofensiva contra o sistema de energia da Ucrânia na madrugada desta segunda-feira, 19, atingindo infraestruturas críticas em várias regiões do país e deixando milhares de pessoas sem eletricidade em meio a temperaturas congelantes. Segundo autoridades ucranianas, ao menos cinco regiões sofreram apagões após uma onda de ataques com drones e mísseis.
De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, as tropas russas dispararam 145 drones durante a ofensiva. As defesas aéreas conseguiram derrubar 126 deles, mas parte dos ataques atingiu alvos estratégicos, sobretudo no setor energético.
O Ministério da Energia informou que as regiões de Sumy, Odesa, Dnipropetrovsk, Kharkiv e Chernihiv ficaram sem fornecimento de energia. Equipes de emergência iniciaram reparos, mas alertaram que os trabalhos dependem das condições de segurança nas áreas atingidas.
Na região de Odessa, no sul do país, instalações de energia e gás foram danificadas e uma pessoa ficou ferida, segundo autoridades locais. A DTEK, maior empresa privada de energia da Ucrânia, afirmou que uma de suas unidades na região foi “substancialmente danificada”, deixando cerca de 30.800 residências sem eletricidade.
No norte, a companhia responsável pela rede elétrica em Chernihiv informou que cinco instalações importantes foram atingidas, provocando cortes de energia para dezenas de milhares de consumidores. Já em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, mísseis russos atingiram uma instalação crítica, causando danos significativos, segundo o prefeito Ihor Terekhov.
Os ataques fazem parte de uma campanha intensificada da Rússia durante o inverno para enfraquecer o sistema energético ucraniano, atingindo usinas, linhas de transmissão e instalações de gás. As temperaturas polares, entre -3ºC e -20ºC, dificultam os reparos e tornam os apagões mais prolongados — e sofridos.
Como resposta, o primeiro-ministro Denys Shmyhal afirmou nesta segunda-feira que o governo vai acelerar projetos para ampliar a transmissão de eletricidade do oeste do país para o leste, onde a demanda é maior. “Comparada a todos os invernos anteriores, esta é a pior situação”, disse Olena Pavlenko, chefe da consultoria energética DiXi Group, ao jornal Kyiv Independent.