A diplomacia russa reagiu nesta quinta-feira, 7, à apreensão, pelos Estados Unidos, de um petroleiro de bandeira russa no Atlântico Norte, classificando a operação como um “ato que ameaça a segurança das rotas internacionais” e aumenta as tensões político-militares entre as duas potências. A ação faz parte de um esforço americano para controlar exportações de petróleo ligadas a países sob sanção, incluindo Venezuela, Irã e Rússia.
Moscou afirmou que o navio, identificado como Marinera — anteriormente chamado Bella‑1 — navegava sob autorização legal e protestou contra o uso de força em alto-mar, alegando violação de normas internacionais e da liberdade de navegação.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou a apreensão como uma “grave violação dos princípios fundamentais e normas do direito marítimo internacional”, incluindo a liberdade de navegação em alto-mar. Para Moscou, a abordagem militar contra um navio civil registrado sob bandeira russa é injustificável.
Os Estados Unidos afirmam que a interceptação do Marinera faz parte de uma campanha mais ampla para fazer cumprir sanções econômicas impostas a países como Venezuela, Rússia e Irã, que visa embarcações suspeitas de violar os embargos. A operação, apoiada logisticamente pelo Reino Unido, ocorreu com base em mandado judicial e envolveu uma perseguição naval por mais de duas semanas antes da abordagem.
Escolta e perseguição
O navio tentava entrar na Venezuela para buscar petróleo, na área do Mar do Caribe, quando a Guarda Costeira dos Estados Unidos iniciou a perseguição que acabou no Atlântico Norte. Sancionado por Washington desde o ano passado por transportar petróleo iraniano que, segundo Washington, é revendido para financiar grupos terroristas, o Bella‑1 havia desligado seu transponder desde 17 de dezembro, tornando sua posição exata desconhecida.
Depois de trocar a bandeira da Guiana pela russa e o nome para Marinera, passou a ser escoltado por um submarino e outras embarcações russas, informou o jornal americano The Wall Street Journal, e Moscou solicitou que Washington cessasse a perseguição. O Ministério das Relações Exteriores russo monitorava “com preocupação” a situação, segundo a agência estatal RIA.
Não há clareza sobre o motivo pelo qual o navio tentou escapar das forças americanas, já que outros dois petroleiros interceptados perto da Venezuela aceitaram ser abordados neste mês.
O episódio também faz parte de um movimento coordenado de Washington com o governo interino de Delcy Rodríguez na Venezuela. Na terça-feira, o presidente Donald Trump anunciou que empresas americanas irão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano retidos no país devido ao bloqueio, ampliando a pressão sobre as rotas de exportação de energia da região e reforçando a estratégia de monitoramento e controle de embarcações suspeitas.