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Rodamos 1400 km até Santa Catarina com a nova geração da Ford Maverick

Há maneiras mais eficientes para quem quer viajar de São Paulo a Pomerode, em Santa Catarina. Um voo com destino a Joinville, por exemplo, leva cerca de uma hora e meia. E com mais uma hora e meia de carro é possível chegar na cidade “mais alemã” do Brasil, como o destino turístico é conhecido. Mas a longa viagem de carro saindo de São Paulo direto para o município catarinense representa uma boa oportunidade para testar a nova geração da Ford Maverick, a picape “que redefine o conceito de performance nas estradas”, nas palavras da fabricante. 

Já testamos a geração anterior da Maverick, especificamente a versão híbrida, a primeira picape eletrificada disponível no mercado brasileiro. Originalmente lançada no início de 2023, mostrou um bom conjunto mecânico e ótima autonomia, mas pecava em não oferecer uma versão com tração nas quatro rodas (exclusiva para a versão à combustão) e funcionalidades como conexão com Android Auto e Apple Car Play sem fio. Agora, a geração atual da picape intermediária corrigiu esses erros.

Rodamos com a Black, versão de entrada da linha. Oferecida por R$ 219 mil, tem motor 2.0L Turbo EcoBoost GTDi de 253 cavalos de potência e 380 Nm de torque. A nova geração tem acabamentos em preto, rodas exclusivas, sistema multimídia maior, de 13,2 polegadas, painel digital e itens de segurança como piloto automático adaptativo (ACC) e monitor de ponto cego. Acima dela é possível escolher entre a Tremor, com vocação mais off-road e preparação específica para aventuras fora de estrada, ou a Híbrida, que perde um pouco em potência (tem apenas 194 cavalos), mas ganha em autonomia. Ambas as versões superiores custam R$ 239 mil. 

André Sollitto
Versão de entrada da picape intermediária, a Black oferece bom pacote de equipamentos e tração nas quatro rodasAndré Sollitto/VEJA

Saímos cedo de São Paulo, por volta das 5h. Sem trânsito pesado, é possível fazer o trajeto de quase 580 quilômetros em cerca de oito horas. Mas é raro passar por Curitiba sem enfrentar pontos de lentidão. Com duas paradas para comer e usar o banheiro, cerca de 10 horas são mais plausíveis. Abastecemos no último posto antes de cruzar a fronteira para o Paraná (aproveitando o preço da gasolina, único combustível que a Maverick aceita), e seguimos viagem. De cara, algumas coisas chamam a atenção ao guiar a picape. A cabine é silenciosa, mesmo em velocidades mais altas. O sistema de som é bom, o que contribui para uma viagem agradável.

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A potência também dá bastante tranquilidade em uma ultrapassagem, por exemplo. Os 253 cavalos são mais que suficientes para garantir uma resposta rápida em qualquer situação. Numa condução normal, nos limites da via, e sem exageros, ela também se mostra bastante econômica. Obtivemos médias acima de 12 km/l – o que significa que, com seu tanque de 67 litros, sua autonomia passa de 800 quilômetros. Na cidade, ela é ainda mais econômica, fazendo médias entre 14 e 15 km/l.

O trajeto tem alguns trechos especialmente bonitos. Um dos atrativos mais interessantes é a chamada Rodovia do Arroz, que passa pelos campos alagados dos produtores do grão. A estrada boa, bem asfaltada, e com pouco movimento, sinaliza de forma agradável a parte final do trajeto.

A cidade de Pomerode tem o maior ovo de páscoa decorado do mundo, certificado pelo Guinness, que fica montado o ano inteiro
A cidade de Pomerode tem o maior ovo de páscoa decorado do mundo, certificado pelo Guinness, que fica montado o ano inteiroAndré Sollitto/VEJA
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Pomerode é uma cidade turística de forte vocação familiar. Há datas importantes no calendário, como a Páscoa, em que a cidade ergue o maior ovo de páscoa decorado do mundo, certificado pelo Guinness Book, e a Oktoberfest, que acontece na vizinha Blumenau, mas atrai um grande número de turistas. Espaço familiares, como a Alles Park, com neve artificial o ano inteiro, e os museus do Brinquedo e do Automóvel, instalados lado a lado, contribuem para o clima em família. Há ainda os atrativos naturais, como a rota cicloturística do Vale Europeu e os morros Azul e da Turquia.

A própria cidade é bastante charmosa, sem prédios altos e com várias casas com arquitetura de inspiração alemã. É possível encontrar ótimos restaurantes. O principal é o Biergarten Pomerânia, que se tornou ponto turístico praticamente obrigatório desde que abriu as portas, em 2022. Como boa cidade de colonização alemã, tem cervejarias excelentes, como a Pomerânia, que oferece visita à fábrica, e a tradicional Schornstein, pioneira entre as artesanais brasileiras, com uma loja de fábrica localizada e um restaurante instalados no centro.

A Rota do Enxaimel é outro passeio imperdível. Guias turísticos como Silvio Bodenmuller, da Gertrud Wagen, levam os turistas em um Toyota Bandeirante adaptado pelo percurso, tombado como patrimônio paisagístico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e reconhecido como uma das Melhores Vilas Turísticas do mundo pela ONU. Enxaimel é uma técnica de construção que foi trazida pelos imigrantes alemães. Consiste em uma estrutura de madeira montada por meio de encaixes, usando um sistema de cavilhas e espigas, sem pregos. Essa estrutura é preenchida com tijolos ou outros materiais. Restam algumas casas antigas, preservadas pelos proprietários, feitas com a técnica. 

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André Sollitto
A Casa Radünz é uma das melhores paradas da turística Rota do EnxaimelAndré Sollitto/VEJA

Uma delas é Casa Radünz, uma das mais bem cuidadas. A propriedade passou por uma reforma recente e oferece uma visita ao passado. O interior da casa foi mantido com a mobília e a decoração original da família. Foi construída em 1932 e faz parte da última leva de casas enxaimel, já com varanda incorporada à casa, mas com a distribuição tradicional dos cômodos, com sala e quarto na parte da frente e cozinha nos fundos. A família vende produtos feitos na propriedade, como doces, licores e embutidos.

Na Rota do Enxaimel há ainda uma parada interessante na fábrica de chocolates Nugali. Vale a pena fazer o tour pelo processo de fabricação, que inclui uma degustação dos chocolates em diferentes etapas – do cacau puro, bastante amargo, aos chocolates zero açúcar feitos para quem tem alguma restrição alimentar. Na saída, uma lojinha oferece o portfólio completo da marca.

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Um final de semana é pouco para aproveitar tudo que a cidade tem a oferecer. A dica é planejar um feriado ou tirar uma semana e aproveitar para visitar a vizinha Blumenau – ou parar em Curitiba no caminho de volta para conhecer o belíssimo Museu Oscar Niemeyer e o Jardim Botânico com sua icônica estufa.

Voltamos ao volante da Maverick para a viagem de retorno. A vida a bordo é confortável. Na nova geração, ela vem com capota marítima de série, o que facilita o uso da caçamba como um enorme porta-malas (são 943 litros de volume, com capacidade de 617 quilos). Em chuvas mais pesadas é possível que a água invada a caçamba, então é preciso ficar de olho. O espaço na segunda fila é um dos mais generosos da categoria, e dois adultos vão com conforto, mesmo em trajetos mais longos. A direção é responsiva e a impressão de guiá-la é mais próxima de um SUV que de uma caminhonete, ainda mais pela suspensão bem calibrada, capaz de absorver as imperfeições das vias sem prejudicar o conforto.

Há um ponto de atenção na Maverick que se apresenta no ambiente rodoviário, mas especialmente no urbano: os retrovisores com zoom. É uma característica dos modelos americanos, mas que aqui poderia ser substituído por um retrovisor convencional, já que a versão com zoom cria um ponto cego gigante – algo pouco seguro para um carro com cinco metros de comprimento. Ela vem equipada com sensor de ponto cego, mas é preciso atenção redobrada para evitar qualquer incidente.

Na categoria das picapes intermediárias, que inclui a Fiat Toro e a Ram Rampage, a Maverick oferece um bom conjunto de equipamentos, acabamento bem feito e ótimo espaço com preço competitivo. É também a única que oferece uma versão híbrida, o que pode ser um fator decisivo para alguns compradores.

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