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‘Respeitem a vontade dos venezuelanos’, pede papa Leão em discurso duro sobre guerras

Em seu primeiro grande pronunciamento diplomático desde que foi eleito, o papa Leão XIV fez nesta sexta-feira, 9, um alerta contundente contra a normalização dos conflitos armados e cobrou que governos de todo o mundo respeitem os direitos civis e políticos do povo venezuelano. O discurso foi feito no Vaticano, diante de 184 embaixadores credenciados à Santa Sé.

O pontífice, primeiro nascido nos Estados Unidos a comandar a Igreja Católica, criticou o uso da força militar como instrumento de política externa e afirmou ver “com particular preocupação” o enfraquecimento de organismos internacionais diante de crises e guerras. “A diplomacia do diálogo está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força. A guerra voltou à moda, e um zelo belicista se espalha pelo mundo”, afirmou.

Ao tratar da Venezuela, Leão XIV mencionou a captura de Nicolás Maduro por forças americanas no fim de semana passado e pediu que a comunidade internacional “respeite a vontade” dos venezuelanos daqui para frente. Ele também apelou para a proteção dos direitos humanos e civis no país, em meio ao cenário de instabilidade política.

O discurso sobe o “estado do mundo”, pronunciado anualmente pelos papas, foi o primeiro no pontificado Leão XIV, que substituiu papa Francisco após sua morte em abril passado. O religioso americano, que foi missionário no Peru por décadas antes de ser eleito, evitou citar diretamente o presidente Donald Trump, embora já tenha criticado reiteradamente as políticas migratórias da Casa Branca.

Mais incisivo do que nos primeiros meses de papado, Leão XIV dedicou parte da fala a temas sensíveis para a Igreja. Condenou práticas como aborto, eutanásia e a “gestação por substituição”, popularmente conhecida como barriga de aluguel.

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Também advertiu que a liberdade de expressão “encolhe rapidamente” no Ocidente e fez referência ao famoso escritor de distopias George Orwell ao criticar o uso desenfreado de “linguagem orwelliana” para, em nome da inclusão, excluir quem não adere às ideologias dominantes.

O papa afirmou ainda que cristãos sofrem “formas sutis de discriminação religiosa” na Europa e nas Américas e voltou a insistir que a saída para conflitos globais passa pela retomada do diálogo político e pelo fortalecimento das instituições multilaterais.

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