O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta quarta-feira, 21, que não cederá à intimidação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que mude do posicionamento sobre a Groenlândia, região autônoma administrada pela Dinamarca. No início desta semana, o premiê se opôs às ameaças do republicano de tomar o território, rico em recursos naturais. Segundo Starmer, desde então, Trump passou a criticar o acordo britânico que entrega as Ilhas Chago às Ilhas Mauricio como forma de pressão.
Na segunda-feira 19, Starmer apelou por uma “discussão calma” sobre a Groenlândia e se opôs à promessa de Trump de impor tarifas sobre oito nações europeias que enviaram tropas à região. No dia seguinte, o líder americano definiu a decisão do Reino Unido de devolver as Ilhas Chago como “um ato de grande estupidez” e de “total fraqueza”.
“Inacreditavelmente, nosso ‘brilhante’ aliado da OTAN, o Reino Unido, está planejando entregar a ilha de Diego Garcia, onde fica uma base militar vital dos EUA, para Maurício, e fazer isso SEM NENHUM MOTIVO”, escreveu Trump na Truth Social, rede social da qual é dono. “O Reino Unido ceder terras extremamente importantes é um ato de GRANDE ESTUPIDEZ e é mais um de uma longa lista de razões de Segurança Nacional pelas quais a Groenlândia precisa ser adquirida.”
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Questionado pela líder da oposição britânica, Kemi Badenoch, sobre a declaração de Trump, o primeiro-ministro afirmou que Trump tentou manipulá-lo para mudar o discurso e adotar uma abordagem a favor dos planos dos EUA. Ele também acusou Badenoch de “apoiar as declarações do presidente Trump que minam a posição do governo sobre o futuro da Groenlândia” e de “oportunismo descarado em detrimento do interesse nacional”.
“O presidente Trump usou ontem palavras sobre Chagos que foram diferentes de suas palavras anteriores de boas-vindas e apoio”, disse ele, acrescentando que o americano “usou essas palavras ontem com o propósito expresso de pressionar a mim e à Grã-Bretanha em relação aos meus valores e princípios, sobre o futuro da Groenlândia”.
“Ele quer que eu ceda na minha posição, e eu não vou fazer isso. Dado que esse era o seu objetivo declarado, estou surpreso que o líder da oposição tenha se juntado a ele”, acrescentou.