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Quem é Efran Soltani, manifestante que deve ser executado no Irã

O Irã planeja executar o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, nesta quarta-feira, 14. Segundo informações da organização curda de direitos humanos Hengaw, o jovem foi condenado à pena capital por envolvimento com os protestos que abalam o país há duas semanas. Caso seja confirmada, essa será a primeira execução amplamente divulgada desde o início da turbulência social.

A Hengaw afirma que Soltani foi preso na última quinta-feira, 6, em sua residência, na cidade de Fardis, localizada na província Central de Karaj. Somente quatro dias após sua detenção, a família do jovem foi avisada pelas autoridades de que ele seria executado nesta quarta. Informações divulgadas pela ONG apontam que ele não teve direito a advogado e o processo sofreu com falta de transparência.

Em entrevista à emissora britânica BBC, Awyer Shekhi, da Hengaw, disse ter conversado com a irmã de Soltani, que atua como advogada. Segundo ela, a mulher tentou dar prosseguimento ao caso, mas ouviu das autoridades que não havia mais nada a ser feito. Um outro parente, não identificado, contou à BBC que todo o processo durou apenas dois dias.

De acordo com o portal IranWire, o jovem trabalhava na indústria do vestuário e havia acabado de começar um novo emprego em uma empresa privada. Nas redes sociais, Soltani exibia seu interesse por musculação e esportes, e pessoas próximas contam que o iraniano era apaixonado por moda e estilo pessoal.

Uma fonte entrevistada pelo portal afirma que Soltani havia recebido mensagens ameaçadoras de agentes de segurança antes de sua prisão. Ele chegou a avisar familiares de que estava sendo vigiado, mas não deixou de participar ativamente das manifestações contra o governo.

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Não está claro quais órgãos são responsáveis pela prisão e eventual execução de Soltani. Até o momento, o judiciário iraniano não se manifestou sobre o caso e o bloqueio de internet imposto por Teerã torna o acesso a informações ainda mais delicado. A Hengaw informou que a família do jovem teve apenas “uma breve oportunidade para uma última visita” antes de sua execução.

Os protestos no Irã iniciaram no dia 28 de dezembro, com o pontapé inicial sendo dado por comerciantes irritados com a queda do valor do rial, a moeda iraniana, frente ao dólar. Não demorou para que estudantes universitários aderissem aos protestos, que rapidamente se espalharam pelo país durante os dias que seguiram.

Informações divulgadas pela ONG Iran Human Rights, baseada na Noruega, que 3.400 pessoas foram mortas em meio à repressão propagada por Teerã, e outras 18 mil pessoas foram presas.
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Intervenção americana

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país agirá “de maneira muito firme” caso o Irã execute Soltani. O mandatário já havia ido às redes sociais para pedir que os iranianos continuassem protestando, afirmando que “a ajuda está a caminho”.

A situação causou incômodo em Teerã, que indicou a possibilidade de atacar bases americanas no Oriente Médio em caso de intervenção no país. Três diplomatas americanos disseram à agência de notícias Reuters que alguns militares foram aconselhados a deixar Al Udeid, no Catar, a principal base aérea dos Estados Unidos na região, até esta noite.

No entanto, não há sinais de uma retirada em larga escala dos soldados, como ocorreu antes de um ataque com mísseis iranianos no ano passado. Um dos diplomatas descreveu a medida como uma “mudança de postura”, e não uma “evacuação ordenada”. A embaixada americana no Catar não se pronunciou. 

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Autoridades israelenses ouvidas pela Reuters afirmaram que o presidente americano já decidiu pela intervenção. Não se sabe, no entanto, qual será o alcance ou o momento da operação.

Um oficial iraniano, por sua vez, relatou à agência que os contatos diretos entre o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, e o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, foram suspensos. Além disso, ele informou que Teerã pediu aos aliados dos Estados Unidos na região, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes e Turquia, para “impedirem Washington de atacar”. 

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