Foram casos graves, como epilepsia refratária e dor crônica, que romperam um histórico de preconceito e abriram caminho para a aceitação da cannabis como terapia medicinal. Em 2014, o Brasil concedeu a primeira autorização para que os pais de Anny Fischer importassem a substância para o tratamento da filha. Hoje, no entanto, o cenário mudou: o estresse passou a ser a principal condição associada à busca pela Cannabis medicinal no país, segundo o levantamento Blis Data 2025, considerado o maior banco de anamnese da América Latina. O perfil do público também se transformou. Homens na faixa dos 40 anos, esgotados mentalmente, lideram a procura pelo óleo de canabidiol — derivado da cannabis que não possui efeito psicoativo.
A pesquisa ouviu mais de 30 mil brasileiros, distribuídos em cerca de 1.900 municípios, que responderam voluntariamente a questionários clínicos e perguntas sobre aspectos emocionais. São pacientes que buscavam acompanhamento médico com terapias alternativas, entre elas a cannabis medicinal. O recurso raramente surge como primeira opção de tratamento, aparecendo de forma tardia, quando persistem sintomas como insônia, ansiedade, estresse e até lapsos de memória. Para os pesquisadores, o dado indica que a Cannabis ainda é vista como um último recurso, reflexo de um preconceito que permanece forte.
“Esses dados têm potencial para contribuir com a formulação de políticas públicas de saúde e ampliar o conhecimento sobre os efeitos desse tratamento, não apenas para a insônia, mas para diversas outras patologias”, afirma Toninho Correa, CEO da Blis. A empresa mantém o maior banco de dados do segmento canábico na América Latina, com mais de 30 mil anamneses catalogadas e qualificadas, voltadas tanto ao apoio à saúde pública quanto à produção de conhecimento científico sobre os usos e os efeitos dessa terapia no Brasil e no mundo.
O tamanho do sofrimento
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15 mil participantes se declaram em estado de estresse crônico
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40% já vivenciaram crises de pânico
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66% relatam acordar já estressados
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51% sofrem com falhas frequentes de memória
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43% afirmam sentir tristeza quase diariamente
Quem são os pacientes
Os dados mostram um público majoritariamente ativo:
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90% trabalham
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70% são casados
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37% têm filhos
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71% praticam atividade física regularmente
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55% fazem uso de medicamentos alopáticos
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53% consomem álcool com frequência