Diferenças políticas no PT do Rio motivaram nova manifestação, em que a sigla reafirma sua aliança com o prefeito carioca, Eduardo Paes (PSD). Em nota divulgada no último sábado, 10, o diretório fluminense do partido coloca como “prioridade absoluta garantir a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente do Brasil, derrotando o bolsonarismo em seu berço”. Para isso, o caminho deverá ser de apoio à campanha de Paes ao governo do estado, de olho em um palanque forte para o chefe do Planalto. A postura foi reforçada em meio a articulações para que o ex-presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), se candidate ao mandato-tampão para governador.
À frente da capital fluminense em seu quarto mandato, Paes lidera com folga as pesquisas de intenção de voto para o governo do Rio, ao menos por enquanto. E, nos últimos anos, empilhou aparições com o presidente Lula, em agendas na cidade. A aliança tem respaldo no prefeito da cidade de Maricá (RJ), Washington Quaquá, cujo grupo político comanda o PT no estado. Desde que começaram as especulações sobre as eleições deste ano, Quaquá tem defendido que seu partido caminhe com o prefeito e, portanto, não tenha candidato próprio para o Palácio Guanabara. A intenção é compor a com um vice ou candidato petista ao Senado, o que, no entanto, não está garantido.
Nos últimos meses, porém, uma ala do PT fluminense tem defendido um caminho mais ousado: lançar o nome de Ceciliano, que hoje ocupa a Secretaria de Assuntos Parlamentares em Brasília, para suceder o governador Cláudio Castro (PL). A ideia surge com a iminente renúncia de Castro para concorrer ao Senado, que terá como consequência uma eleição indireta, feita entre parlamentares da Assembleia do Rio, para o comando do governo estadual até o fim deste ano.
Como presidiu a Alerj entre 2019 e 2023, Ceciliano ainda teria prestígio na Casa, o que poderia ajudar na disputa por votos. A aposta em uma candidatura para o mandato-tampão, inclusive, teria partido de membros da Assembleia, junto a deputados federais e integrantes da Executiva Nacional do PT. Para prosperar, contudo, tal movimento teria de contar com o aval de Lula, que até o momento ainda não manifestou publicamente essa vontade.
Se depender do PT do Rio, isso não vai acontecer. Na nota divulgada no último sábado, o partido reitera que “o melhor palanque para Lula em todo o Brasil é o de Eduardo Paes (PSD) no projeto de governar o estado do Rio de Janeiro em 2026” e que “desautoriza quaisquer manifestações individuais de filiados ou dirigentes que tentem atrapalhar ou criar obstáculos” a esse cenário. Tal posicionamento reforça o racha nos bastidores da sigla, opõe a ala mais próxima de Quaquá a um outro grupo, que tem entre os membros o deputado federal Lindbergh Farias e o próprio Ceciliano.
“O PT não pode e não irá priorizar candidaturas e projetos individuais em substituição ao projeto coletivo do campo democrático representado pelas candidaturas do Presidente Lula e de Eduardo Paes ao governo do Estado. Qualquer um que atrapalhe essa aliança joga água no moinho do bolsonarismo, fortalecendo a direita e atrapalhando o presidente Lula”, diz o texto.
Até o momento, porém, não está claro que papel o PT terá na candidatura de Eduardo Paes. Apesar de liderar as prévias da disputa, o prefeito sabe que o eleitorado fluminense é majoritariamente conservador e, portanto, teme perder pontos se associado demais à esquerda. Não à toa, tem endurecido o discurso na Segurança Pública e investido suas fichas na Força de Segurança Municipal, uma guarda armada prestes a ser lançada na cidade.