O procurador-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, foi acusado de assédio sexual por uma ex-estagiária de seu escritório de advocacia, de acordo com o jornal britânico The Guardian. Khan já vinha sendo investigado devido a acusações feitas anteriormente por uma advogada malaia de 30 anos que trabalhava sob sua tutela na corte.
Segundo a suposta vítima, o procurador teria se comportado de maneira inadequada na época em que trabalharam juntos, em 2009. O britânico teria abusado de sua autoridade para pressionar a mulher, que estava na casa dos 20 anos, a ter relações sexuais com ele. Na época do crime, Khan já era um proeminente advogado de defesa no TPI, tendo destaque ao representar o ex-presidente da Libéria, Charles Taylor.
“Ele não deveria estar fazendo isso. Era meu empregador”, declarou a suposta vítima em entrevista ao Guardian. Sob o pseudônimo de Patrícia, ela descreveu o episódio, que contém muitas semelhanças com a primeira acusação. Em ambos os casos, o procurador-geral insistia para que as vítimas fossem trabalhar em sua residência, onde pressionava com investidas sexuais indesejadas.
Devido à posição de destaque de Khan, Patrícia disse ter sido incapaz de fazer uma denúncia prévia. Sendo uma jovem em início de carreira, a mulher afirmou ter que equilibrar sua repulsa às investidas do então advogado com a necessidade de receber uma boa recomendação após seu tempo de trabalho. Quando tudo terminou, ela disse que “parecia um acordo com o diabo”.
Patrícia tomou coragem para expor sua experiência com o procurador-geral após ler as acusações feitas pela funcionária do TPI. Ela prestou um depoimento formal ao Escritório de Serviços de Supervisão Interna da ONU, responsável por conduzir o primeiro inquérito.
Os advogados do promotor não entraram em detalhes sobre as alegações, e apesar de se declarar inocente, Khan se afastou temporariamente de seu cargo no TPI enquanto aguarda o desenrolar das investigações sobre os episódios de assédio.
Karim Khan tem 55 anos e foi eleito em 2021 para um mandato de 9 anos na mais alta cadeira do Tribunal Penal Internacional. Sob sua direção, o órgão se destacou ao emitir mandados de prisão para nomes proeminentes, como o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Sua posição de destaque vem sendo utilizada como defesa por parte de seus representantes, que apontam as denúncias como tentativas de retaliar a postura combativa de Khan. Caso seja considerado culpado, o britânico será submetido a uma votação para analisar uma possível remoção do cargo.