Os termos que fertilizaram a longa relação de amizade construída por Lula, o PT e o MST com os regimes que destruíram a Venezuela, nas últimas décadas, são, ainda hoje, um grande mistério nesta esquina sofrida da América Latina.
Durante a Operação Lava-Jato, delatores ligados ao petismo chegaram a ensaiar abrir o baú das milionárias negociatas que envolveram o petismo e os ditadores Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
No atual mandato, uma das frases mais impactantes de Lula sobre Maduro segue ainda fresca. “Quantos anos vocês passaram ouvindo que o Maduro era um homem mau”, questionou o petista ao apertar a mão do ditador venezuelano diante das câmeras de TV, no Itamaraty, em 2023.
Lula e os governos petistas que passaram pelo Planalto têm intimidade e uma coleção de histórias mal contadas com o regime venezuelano.
Vem dessas constatações o manto de preocupação que cobre o Palácio do Planalto desde o último sábado, quando as forças dos Estados Unidos invadiram a Venezuela e capturaram Maduro e a mulher dele. Nas mãos de Donald Trump, sabe-se lá o que Maduro poderá oferecer para tentar amenizar seu encontro com a Justiça americana.
O fato é que a custódia de Maduro, a oposição — por ora amistosa — existente entre o governo Lula e a Casa Branca e a proximidade das eleições presidenciais formam um cenário fértil para intervenções internacionais na corrida eleitoral. Qualquer informação, verificada ou não — o que é lamentável constatar –, que venha Trump a divulgar em suas redes sobre segredos supostamente contados por Maduro de suas relações com o petismo terá repercussão imediata aqui no Brasil.
A custódia de Maduro dá ao republicano possibilidades infindáveis de inflamar a disputa política no Brasil e em outros países que se misturaram com a ditadura venezuelana. Vem daí a constatação de que Trump, com a ação do último fim de semana na Venezuela, credenciou-se como personagem das eleições brasileiras.