Um levantamento realizado pelo Instituto Democracia em Xeque mostra que a prisão do presidente Nicolás Maduro teve uma imensa repercussão nas redes sociais. O episódio gerou uma onda de mais de 50 milhões de publicações em quatro grandes plataformas digitais (X, TikTok, Instagram e Youtube) em todo o mundo entre os dias 3 e 6 de janeiro.
O ápice de engajamento foi registrado no dia 3, quando o presidente Donald Trump concedeu uma entrevista coletiva na qual confirmou a operação que culminou na captura do ditador venezuelano.
O Brasil é classificado pelo instituto como polo central desse debate na América Latina. Nesse período, o instituto registrou 3,6 milhões de publicações feitas por brasileiros nas redes sociais, compartilhadas por outras 34 milhões de pessoas.
O debate sobre a captura de Maduro pelos Estados Unidos foi dominado pelos internautas identificados como conservadores. Os conteúdos produzidos por esse grupo alcançaram 21 milhões de pessoas, quatro vezes mais que os chamados progressistas.
As publicações dos conservadores foram centradas principalmente na celebração do fim da ditadura na Venezuela e na exaltação da figura de Trump. O presidente americano é associado a palavras como “protagonista” e “salvador”.
A pesquisa também revelou que o debate digital sobre o tema foi marcado pela desinformação e uso intenso de Inteligência Artificial.
O instituto também detectou uma ampla circulação de fotos falsas da prisão de Maduro e muitos vídeos manipulados, como um que sugeria uma ação armada do Movimento Sem-Teto (MST) em Nova York para libertar o presidente da Venezuela.
“Os dados indicam que a ação dos EUA na Venezuela gerou forte debate global e intensa polarização no Brasil, marcada por desinformação e uso de conteúdos manipulados. Apesar da retórica pró-democracia de aliados de Trump, prevalece a leitura de uma afirmação unilateral de poder, com centralidade nos interesses estratégicos e no petróleo, sem compromissos claros com eleições”, explica Letícia Capone, diretora do instituto.