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Por que o popular prefeito João Campos virou alvo de um pedido de impeachment no Recife

O popular prefeito do Recife, João Campos (PSB) — quinto mais aprovado, com 64%, em ranking de prefeitos de capitais divulgado em dezembro pelo instituto AtlasIntel e tido como um dos principais nomes para uma futura renovação do campo da esquerda no país –, se tornou alvo de um pedido de impeachment nesta segunda-feira, 5, após se envolver em polêmica sobre uma nomeação considerada irregular de o cargo de procurador do município.

O pedido foi protocolado pelo vereador de oposição Eduardo Moura (Novo), que é líder do partido na Câmara. Para ele, a situação configura infrações legais graves. “Houve uma clara ‘furada de fila’ em um concurso público, com o aval do chefe do Executivo, o que caracteriza crime de responsabilidade e infração político-administrativa”, argumentou.

O pedido de impeachment tem como base a nomeação de Lucas Vieira da Silva para o cargo de procurador em uma vaga reservada a Pessoas com Deficiência (PCD), sendo que ele ficou na 63ª posição e, quando fez a prova do concurso, não possuía laudo de PCD e nem concorreu às vagas afirmativas, mas de livre concorrência.

A nomeação, assinada por campos, estava em desacordo com o edital do concurso e gerava prejuízo a outro candidato, que teria direito à vaga, e foi publicada no Diário Oficial do Município em 23 de dezembro de 2025.

A nomeação ocorreu após um pedido de reclassificação de Lucas, que foi feito mais de três anos após o concurso, realizado em realizado em 2022 e homologado em junho de 2023.

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Em 29 de maio de 2025, Lucas Vieira solicitou a requalificação para concorrer como PCD, pedido que foi negado por três procuradoras concursadas do município em decisões técnicas sucessivas. Mesmo assim, quando o caso foi encaminhado ao procurador-geral do município, Pedro Pontes, cargo comissionado indicado pelo prefeito, a situação foi revertida.

Diante da repercussão negativa do caso e da pressão popular, a gestão municipal decidiu revogar a nomeação. “Quando o prefeito descumpre o edital, ele pratica um ato contra a expressa disposição legal”, enfatizou o vereador Eduardo Moura. Para ele, o caso ainda infringiu dispositivos da Lei Orgânica do Município, da Lei de Improbidade Administrativa, do Decreto de Lei 201, e até do Código Penal. “Os atos atentam contra a probidade administrativa e contra o cumprimento das leis, o que configura crime de responsabilidade”, justificou.

O vereador também alertou para suspeita de possível favorecimento do candidato, uma vez que Lucas Vieira é filho de uma procuradora do Tribunal de Contas do Estado e de um juiz que atua na vara de crimes contra a administração pública da capital, e que, em novembro de 2025, um mês antes da nomeação de Lucas, anulou os atos da operação “Barriga de Aluguel”, que investigava a gestão de João Campos por possível desvio de verbas no valor de 500 milhões de reais.

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Para o pedido de impeachment ser admitido pela Câmara Municipal do Recife é preciso que ele seja assinado por dois terços dos vereadores. Caso seja admitida a acusação contra o prefeito, ele será submetido a julgamento pelos crimes comuns e de responsabilidade junto ao Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco.

Favorito

Segundo o instituto Paraná Pesquisas, João Campos é hoje o favorito na eleição para o governo de Pernambuco. Segundo levantamento divulgado no final de dezembro, em um eventual primeiro turno, ele teria 53,1% das intenções de voto contra 31,0% da atual governadora, Raquel Lyra (PSD).

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