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Por que o plano de Trump para a Venezuela é mais arriscado do que parece

O plano de três fases anunciado pelos Estados Unidos para a Venezuela aponta menos para uma transição democrática imediata e mais para um processo lento de distensão do regime. Essa é a avaliação do cientista político Márcio Coimbra, ex-diretor da Apex, ao analisar os desdobramentos da prisão de Nicolás Maduro e a atuação do governo americano junto à presidente interina, Delcy Rodríguez (este texto é um resumo do vídeo acima).

Em entrevista ao Ponto de Vista, Coimbra afirmou que a estratégia em curso busca evitar um corte radical com o chavismo, considerado um movimento de alto risco. “Tudo indica que o que está em curso não é uma transição, mas uma distensão. O regime tende a se tornar uma autocracia confiável aos olhos do Ocidente”, afirmou.

Por que Washington evita a ruptura

Segundo Coimbra, uma mudança abrupta de poder, com a chegada imediata da oposição ao comando do país, poderia abrir caminho para um conflito interno de grandes proporções. “Estaríamos diante, provavelmente, de uma guerra civil”, disse. Esse cenário envolveria não apenas disputas entre chavistas e opositores, mas também a atuação de múltiplos interesses presentes no país.

O cientista político citou o peso dos militares ligados ao chavismo, que ainda controlam parte relevante da economia, além da presença de atores externos. “Há influência cubana e atuação de inteligência estrangeira operando na Venezuela. Isso tornaria qualquer ruptura extremamente instável”, explicou.

Distensão antes da estabilização

Na avaliação de Coimbra, a alternativa encontrada pelos Estados Unidos passa por um caminho mais lento e negociado. Primeiro, uma distensão do regime; depois, um processo de estabilização; só mais adiante, uma possível transição política. “É uma saída gradual, que tenta reduzir riscos e evitar o colapso institucional”, afirmou.

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Nesse desenho, Delcy Rodríguez surge como peça-chave. Ex-aliada fiel de Maduro, ela é vista como uma figura mais pragmática e tecnocrática dentro do regime. “Ela estudou na Europa, tem formação no Reino Unido e na França e é percebida como alguém capaz de dialogar”, disse Coimbra. Ainda assim, o especialista ressalta que o desafio é enorme.

O equilíbrio delicado no poder

A presidente interina, segundo Coimbra, atua em um ambiente de forças altamente tensionadas. De um lado, está o grupo mais ideológico e combativo do chavismo. De outro, setores mais dispostos à negociação, representados por Delcy e seu irmão, presidente do Congresso.

No centro desse tabuleiro está o ministro da Defesa, que controla as Forças Armadas. “Os militares são o fiel da balança”, afirmou Coimbra. O apoio deles é fundamental para a manutenção de Delcy no poder.

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Por isso, as declarações públicas da presidente interina — ora críticas aos Estados Unidos, ora colaborativas — devem ser lidas com cautela. “O discurso não necessariamente reflete o que está sendo negociado nos bastidores. Ela precisa manter um pé em cada canoa para evitar um golpe militar”, disse.

Petróleo como eixo da negociação

O anúncio de que a Venezuela enviará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos e, em contrapartida, comprará produtos americanos, é parte central dessa estratégia. Para Coimbra, o acordo tende a beneficiar mais Washington no curto prazo, mas serve como instrumento de estabilização política.

“Delcy está tentando ganhar tempo e reduzir tensões internas. Qualquer passo em falso — uma fala mal colocada ou um acordo mal interpretado — pode desestabilizar completamente esse equilíbrio”, avaliou.

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Enquanto isso, o futuro da Venezuela segue condicionado a um arranjo frágil, sustentado por negociações silenciosas, interesses militares e uma aposta americana em mudanças graduais, não em rupturas imediatas.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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