O governo brasileiro optou por uma estratégia de cautela máxima diante da prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e da escalada diplomática que se seguiu ao episódio. Na reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador do Brasil, Sérgio Danese, condenou a ação americana por violar o direito internacional, mas evitou citar nominalmente tanto Donald Trump quanto o líder venezuelano. O mesmo tom tem sido adotado nas manifestações oficiais do Palácio do Planalto (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo o economista Igor Lucena, CEO da Amero Group, essa postura não é casual: reflete um cálculo político, econômico e eleitoral feito pelo governo Lula diante de um cenário internacional adverso.
Por que o Brasil evita citar Trump?
Para Lucena, o principal motivo é econômico. O Brasil acaba de se beneficiar de uma redução unilateral de tarifas por parte dos Estados Unidos, e um confronto direto com Trump poderia levar à reversão imediata desse gesto. “Criticar nominalmente os Estados Unidos seria cutucar a onça com a vara curta”, afirma. O risco, segundo ele, seria ver o país incluído rapidamente na lista de alvos comerciais da Casa Branca.
Nesse contexto, a condenação genérica à violação do direito internacional funciona como uma válvula de escape diplomática: sinaliza desconforto sem provocar retaliações diretas.
E por que o silêncio sobre Maduro?
A ausência de uma defesa explícita de Nicolás Maduro também tem motivação interna. Lucena avalia que qualquer gesto mais claro de apoio ao regime venezuelano teria alto custo político no Brasil. “Mesmo setores da esquerda não aceitam mais uma defesa aberta da Venezuela, vista como ditadura e devedora do Brasil”, diz.
Para o governo Lula, associar-se diretamente a Maduro seria oferecer munição à oposição, que já explora o discurso de que o Planalto “fala em democracia, mas protege ditadores”. Em um cenário pré-eleitoral, o risco seria ampliar rejeições e desgastes internos.
Estratégia ou armadilha diplomática?
Na leitura de Lucena, os Estados Unidos conseguiram colocar o Brasil em uma posição desconfortável, quase sem alternativas. Ao mesmo tempo em que pressionam Caracas, empurram Brasília para um “canto do ringue”, forçando o governo a escolher entre custos econômicos externos e desgaste político interno.
O resultado, porém, é problemático para a política externa brasileira. “Ao tentar agradar a todos, o Brasil passa a imagem de um país sem lado, sem posicionamento claro”, afirma. Para ele, essa postura fragiliza a credibilidade internacional do país e repete erros recentes, como a tentativa de equidistância em conflitos como Rússia e Ucrânia ou Israel e Hamas.
O custo de ficar em cima do muro
Embora a estratégia possa reduzir danos imediatos, Lucena alerta para os efeitos de longo prazo. Um país que evita posições claras, diz ele, tende a ser visto como um parceiro pouco confiável. “Do ponto de vista do Estado brasileiro, isso é péssimo. Mostra fraqueza e falta de visão estratégica”, resume.
Entre Trump, Maduro e a pressão da opinião pública doméstica, o governo Lula tenta ganhar tempo. O preço dessa escolha, no entanto, pode ser uma política externa cada vez mais marcada pela ambiguidade — e pela perda de protagonismo.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Mercado (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.