As conversas de bastidores para a eleição de 2026 avançam mesmo em pleno recesso parlamentar, e um diagnóstico começa a se consolidar entre dirigentes partidários: a candidatura do senador Flávio Bolsonaro enfrenta obstáculos que vão muito além das pesquisas presidenciais (este texto é um resumo do vídeo acima).
A principal preocupação não é apenas o desempenho eleitoral do filho do ex-presidente, mas o efeito que seu perfil político pode produzir na engrenagem mais ampla das eleições — que envolve governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e, sobretudo, a sobrevivência financeira e institucional dos partidos.
Por que a eleição de 2026 não se resume ao Planalto?
A disputa presidencial é apenas uma parte do jogo. Em 2026, estarão em disputa simultaneamente cargos de governador, duas vagas ao Senado por estado, além da renovação da Câmara e das assembleias legislativas. Para partidos médios e grandes, o foco central é ampliar ou ao menos preservar suas bancadas.
Esse cálculo tem impacto direto no acesso ao fundo eleitoral e ao fundo partidário, distribuídos de acordo com o desempenho nas urnas. Quanto maior a bancada, maior o poder político — e o caixa — nos quatro anos seguintes.
É por isso que siglas como União Brasil, Republicanos e PP analisam com cautela qualquer apoio presidencial.
Qual é o papel do PL nessa equação?
Gigante na Câmara, o PL trabalha com um objetivo claro: eleger o maior número possível de senadores e manter uma bancada robusta de deputados federais. A estratégia não está dissociada das pautas caras ao bolsonarismo, como o enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal e o fortalecimento da oposição institucional.
Nesse contexto, manter Flávio Bolsonaro em evidência cumpre uma função tática: dar visibilidade ao partido, mobilizar a base ideológica e estruturar palanques estaduais competitivos. Ainda que sua candidatura não chegue ao fim, ela ajuda a organizar o tabuleiro eleitoral do PL.
Por que o discurso de Flávio gera desconforto?
O problema, segundo dirigentes do Centrão, é que o discurso do senador é excessivamente alinhado ao bolsonarismo mais ideológico, o que dificulta alianças regionais. Em estados onde partidos precisam dialogar com eleitores moderados e construir coligações amplas, esse perfil se transforma em um passivo.
O que os partidos realmente querem em 2026?
Mais do que eleger o presidente, as siglas buscam manter relevância no Congresso — condição essencial para influenciar governos, negociar ministérios e moldar a agenda nacional. O próprio funcionamento do atual governo Lula é visto como prova disso: um Executivo refém de uma coalizão fragmentada, onde partidos com 40 ou 50 deputados exercem enorme poder.
Apoiar um candidato presidencial que dificulte alianças estaduais pode significar perder espaço, cadeiras e recursos. Por isso, a escolha do nome ao Planalto passa, antes de tudo, por um cálculo de custo-benefício eleitoral.
Onde Flávio Bolsonaro perde tração?
Embora conte com o apoio integral do PL e da base bolsonarista mais fiel, Flávio não oferece, até agora, garantias de que sua candidatura ajude outros partidos a crescer. Pelo contrário: há o temor de que ela limite a expansão de legendas que dependem de discursos mais moderados para vencer disputas locais.
Nesse cenário, o senador segue como peça importante para o jogo do PL, mas enfrenta resistência crescente entre partidos que pensam menos em ideologia e mais em sobrevivência política.
O que isso sinaliza para a direita?
A dificuldade de Flávio Bolsonaro evidencia um dilema central do campo conservador: insistir em um nome de forte identidade ideológica ou apostar em um candidato capaz de ampliar alianças e bancadas. Para o Centrão, a resposta já começa a se desenhar.
Em 2026, mais do que nunca, a eleição será decidida não apenas por quem disputa o Planalto, mas por quem consegue montar a maior e mais eficiente máquina eleitoral nos estados.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.