Uma coisa parece certa: a repressão na Venezuela não terminou com a deposição de Nicolás Maduro por meio da operação militar dos Estados Unidos no último fim de semana. Ela se intensificou. Na noite de segunda-feira 5, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, publicou uma série de fotos e vídeos em que aparece com policiais fortemente armados patrulhando as ruas da capital, Caracas, como parte do esquema de segurança reforçado da cidade.
Posando ao lado de membros das forças de segurança, muitos dos quais portando armas automáticas, ele comanda um grito de guerra: “Leais sempre, traidores nunca! Duvidar é traição!”
Uma das postagens afirma que o ministro percorreu algumas áreas da capital venezuelana na noite de segunda para monitorar as forças de segurança. Nas ruas de Petare, a maior favela de Caracas, há relatos de homens encapuzados e armados fazendo patrulhas e apreendendo celulares para buscas por palavras “incriminadoras” no histórico de conversas do WhatsApp.
Dezenas de postos de controle militar surgiram na cidade. Jornalistas estrangeiros estão impedidos de entrar. O Sindicato dos Jornalistas e Trabalhadores da Mídia informou que 14 profissionais da área foram detidos na manhã de segunda, embora tenham sido liberados posteriormente.
Mais cedo, a líder da oposição, María Corina Machado, que está exilada desde que saiu da Venezuela em novembro para receber o Prêmio Nobel da Paz em Oslo, descreveu a detenção de Maduro como “um enorme passo para a humanidade, para a liberdade e para a dignidade humana” durante uma entrevista com a emissora americana Fox News.
Na mesma conversa, ela acrescentou que a presidente interina, Delcy Rodríguez – que era vice de Maduro – “não é confiável”. Uma ideóloga socialista, Rodríguez atuou em diversas funções primeiro no governo de Hugo Chávez e depois no do sucessor, mas é vista nos EUA e na região como uma política pragmática. O presidente Donald Trump afirmou no sábado que “ela está essencialmente disposta a fazer o que consideramos necessário para tornar a Venezuela grande novamente”. No mesmo dia, porém, a líder interina pediu a libertação de Maduro.
María Corina Machado falou à TV poucas horas depois de Maduro ter se declarado inocente de várias acusações de tráfico de drogas e porte ilegal de armas perante um tribunal de Nova York. Durante a audiência de 30 minutos, ele afirmou ser um “presidente sequestrado” e um “prisioneiro de guerra”.