O Pentágono ordenou a 1.500 soldados da ativa no Alasca se preparem para serem despachados para Minnesota, no centro-oeste dos Estados Unidos, disseram funcionários americanos à agência de notícias Reuters no domingo 18. No início deste mês, um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) matou Renee Nicole Good, de 37 anos, durante uma ampla operação de fiscalização migratória em Minneapolis, no estado de Minnesota, desencadeando protestos ao redor do país.
Em declarações anteriores, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou usar a Lei de Insurreição — que concede ao mandatário da Casa Branca o poder de mobilizar as Forças Armadas ou federalizar as tropas da Guarda Nacional para reprimir levantes — contra o estado. O republicano alegou que manifestantes locais têm atacado agente do ICE, enviados aos montes pelo governo Trump a Minnesota.
Sem invocar a lei, o líder americano pode mobilizar tropas da ativa para algumas questões domésticas, como a proteção de prédios federais. Foi o que aconteceu em Los Angeles, na Califórnia, no ano passado. O Departamento de Defesa — renomeado Departamento de Guerra pela administração Trump — também pode acionar as recém-criadas forças de resposta rápida da Guarda Nacional.
Ainda no domingo, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, alertou que qualquer mobilização militar apenas escalaria as tensões na cidade, a maior de Minnesota, para onde 3.000 agentes de imigração e da Patrulha da Fronteira dos EUA já foram mandados em resposta aos protestos. Em entrevista à emissora americana NBC, ele disse que um novo envio “seria uma medida chocante”, acrescentando: “Não precisamos de mais agentes federais para manter as pessoas seguras. Nós estamos seguros.”
Trump justifica o envio de milhares de militares à cidade como uma medida para aplacar a corrupção em Minnesota, citando um escândalo envolvendo o desvio de fundos federais destinados a programas de assistência social. O governo americano têm visado especificamente a comunidade de imigrantes somalis do estado, de acordo com a Reuters. O jornal Minnesota Star Tribune também informou que agentes federais também prenderam três funcionários de um restaurante mexicano na cidade de Willmar, horas depois de terem almoçado no local.
+ Vídeo: Manifestante fica cego por disparo de agente durante protesto contra o ICE nos EUA
Morte de Renee
Renee Nicole Good foi morta na quarta-feira 7. Ela dirigia por um bairro residencial ao sul do centro de Minneapolis, a apenas 1,6 km de onde George Floyd foi assassinado pelo policial Derek Chauvin em maio de 2020. No vídeo, é possível ver que ela acelera quando agentes, de maneira agressiva, se aproximam do seu carro. Em seguida, um deles saca uma arma e dispara através da janela, que estava abaixada, na direção do rosto da mulher. Ao fundo, uma testemunha que gravou o momento grita: “Meu Deus, que p*rra você acabou de fazer?”.
O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) alegou que “tentou atropelá-los e os atingiu com seu veículo”, em um “ato de terrorismo doméstico”, o que teria levado o agente a agir em legítima defesa. Renee estudou escrita criativa na Old Dominion University em Norfolk, Virgínia, e ganhou um prêmio de graduação da Academia de Poetas Americanos pela obra “Sobre Aprender a Dissecar Fetos de Porcos” em 2020. No mesmo ano, ela se formou na Faculdade de Artes e Letras da universidade, com diploma em Inglês.
O Minnesota Star Tribune informou que Renee apresentava um podcast com seu segundo marido, Tim Macklin, que faleceu aos 36 anos em 2023 e com quem teve um filho, hoje com 6 anos. Ela também teve outros dois filhos com o primeiro marido, que preferiu não ser identificado. Ele disse que Renee era uma cristã devota que participou de viagens missionárias para jovens na Irlanda do Norte na juventude e uma mãe dedicada, sem laços com o ativismo. O presidente Donald Trump alegou, sem provas, que ela era uma “agitadora profissional”.