O papa Leão XIV se reuniu no Vaticano nesta segunda-feira, 12, com a líder da oposição venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado. A Santa Sé, porém, não divulgou ainda mais informações sobre o encontro, que constava na agenda do pontífice.
Na semana passada, em seus primeiros comentários sobre a ação dos Estados Unidos em Caracas, que levou à captura de Nicolás Maduro, o primeiro americano a comandar a Igreja Católica pediu que a Venezuela permaneça um país independente. Ele pediu que a comunidade internacional “respeite a vontade” dos venezuelanos e apelou para a proteção dos direitos humanos e civis no país, em meio ao cenário de instabilidade política.
Leão também criticou o uso da força militar como instrumento de política externa e afirmou ver “com particular preocupação” o enfraquecimento de organismos internacionais diante de crises e guerras. “A diplomacia do diálogo está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força. A guerra voltou à moda, e um zelo belicista se espalha pelo mundo”, afirmou.
María Corina escanteada
A reunião ocorre em um momento em que a Venezuela está sob pressão para libertar os presos políticos, com a promessa renovada do governo interino de Delcy Rodríguez, antiga vice de Maduro, de que mais 116 serão soltos. Também é um contexto delicado para María Corina Machado, esnobada pelo presidente Donald Trump. Após a operação para capturar o deposto ditador venezuelano, o ocupante do Salão Oval descartou a ideia de trabalhar com a líder da oposição, dizendo que “ela não tem o apoio interno ou o respeito dentro do país”.
Ainda assim, Trump anunciou que deve recebê-la em Washington nesta semana. A passagem pelo Vaticano foi a primeira agenda pública de María Corina desde que ela esteve em Oslo para a entrega do Nobel em dezembro do ano passado, momento que interrompeu meses de clandestinidade. Após deixar a Noruega, o seu paradeiro ficou desconhecido.
O presidente americano também indicou que segue mordido com a decisão que deu o Prêmio Nobel da Paz à opositora venezuelana no ano passado, após ele fazer meses de campanha ativa para recebê-lo. “Foi uma decisão muito vergonhosa para a Noruega. Quando oito guerras foram encerradas, deveria receber um para cada uma”, lamentou durante entrevista à Fox News na semana passada, voltando a alegar que ele foi responsável por dar fim a diversos conflitos globais.
Em entrevista à mesma emissora americana, María Corina afirmou que gostaria de entregar a láurea a Trump por seu empenho em devolver a democracia à Venezuela. Procurado pela agência de notícias AFP para comentar a fala, o Instituto Nobel declarou ser impossível transferir o prêmio.
“Um Prêmio Nobel não pode ser revogado ou transferido para outra pessoa. Uma vez anunciado o(os) vencedor(es), a decisão permanece para sempre”, declarou o porta-voz do instituto, Erik Aasheim.