A deposição do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no último sábado 3 mergulhou a Venezuela na incerteza. A operação que bombardeou Caracas e capturou o líder do país embaralhou a liderança da Venezuela, fazendo emergir novas figuras de poder. Ao mesmo tempo, conferiu a Washington um novo e poderoso papel, com o presidente Donald Trump afirmando que vai “governar” na nação sul-americana, e lançou incertezas sobre qual será a função da líder da oposição, María Corina Machado, laureada com o Prêmio Nobel.
Com Maduro e sua esposa, Cilia Flores, aguardando sua primeira audiência em Nova York nesta segunda-feira, 5, aqui estão as figuras que exercem agora um poder ampliado sobre a Venezuela — incluindo os americanos que podem ter um dedo no futuro do país.
Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela

Agora líder de fato da Venezuela, Rodríguez, que deve ser empossada como presidente interina nesta segunda, ascendeu de forma meteórica na hierarquia política, atuando em diversas funções primeiro no governo de Hugo Chávez e depois com Maduro.
Ela é uma ideóloga socialista, mas vista nos EUA e na região como uma política pragmática. O presidente Trump afirmou no sábado que “ela está essencialmente disposta a fazer o que consideramos necessário para tornar a Venezuela grande novamente”. No mesmo dia, porém, ela pediu a libertação de Maduro.
Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela

Irmão de Delcy, a dupla poderosa ajudou a facilitar a ascensão de uma elite econômica no sistema socialista implementado inicialmente por Chávez. Psiquiatra de formação, ele atuou como vice-presidente de Chávez e foi o principal negociador de Maduro com os EUA enquanto liderava o Congresso venezuelano, um órgão hoje meramente formal.
O pai de Jorge e Delcy, Jorge Antonio Rodríguez, foi um guerrilheiro marxista e cofundador da Liga Socialista, um movimento militante de esquerda ativo nas décadas de 1960 e 1970. O patriarca foi preso e morreu sob tortura em custódia do Estado em 1976, incutindo em seus filhos um desejo de vingança.
Vladimir Padrino López, ministro da Defesa da Venezuela

General de quatro estrelas que lidera as Forças Armadas desde 2014, Padrino manteve os militares sob controle de Maduro durante a última década, em meio a diversas tentativas da oposição de fomentar um golpe de Estado.
Sob Maduro, o poder de Padrino derivava não apenas de sua posição de destaque no comando militar, mas também do controle sobre portos e uma série de programas sociais.
Para o plano de Trump de governar a Venezuela com os interesses dos EUA em mente, será fundamental contar com o apoio de Padrino e da cúpula militar.
Diosdado Cabello, ministro do Interior da Venezuela

Cabello era o executor de Maduro, liderando as forças de segurança do Estado e gangues pró-regime conhecidas como colectivos, que reprimiam protestos de rua com táticas letais. Ele é considerado o mais linha-dura dos líderes remanescentes do regime.
Após a deposição de Maduro, Cabello apareceu na televisão estatal vestindo um colete à prova de balas e cercado por forças de segurança armadas. “Aprendemos a sobreviver”, disse ele, convocando militares e policiais a manterem a ordem no país.
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA

O ex-senador da Flórida é o arquiteto das políticas de Trump na Venezuela, onde há muito tempo defende a mudança de regime.
Com a deposição de Maduro, Rubio afirmou que os EUA têm poder para garantir que os líderes venezuelanos façam o que o governo americano deseja. “Se eles não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de influência para garantir que nossos interesses sejam protegidos”, disse em entrevista à emissora CBS News no domingo 4.
Mike Wirth, CEO da Chevron

O chefe da maior investidora americana na Venezuela está em posição privilegiada para tirar vantagem da influência ampliada dos EUA sobre o país, onde sua empresa opera há mais de um século. A Chevron agora será fundamental para a iniciativa de Trump de aumentar a produção de petróleo venezuelana.
Wirth está familiarizado com os riscos. “Jogamos a longo prazo”, disse ele em novembro, na cúpula de investimentos EUA-Arábia Saudita em Washington. “Estamos comprometidos com o povo venezuelano e gostaríamos de estar presentes como parte da reconstrução da economia do país quando as circunstâncias mudarem.”
María Corina Machado, líder da oposição venezuelana

A ganhadora do Nobel da Paz chocou o mundo com sua fuga ousada da Venezuela, onde vivia escondida desde as eleições fraudadas de 2024, para receber o prêmio em Oslo.
Mas, em vez de retornar triunfalmente ao país para postular-se como sucessora após a queda do ditador, seu movimento caiu no limbo. Trump a chamou de “uma mulher muito simpática”, mas disse que ela não tem apoio para liderar a Venezuela. A oposição silenciou, aguardando para ver como o governo americano lidará com as figuras remanescentes do regime nas próximas semanas.