Três adolescentes foram mortos em meio à repressão contra manifestantes no Irã nos primeiros dias de 2026. Outros 44 menores foram detidos em meio aos protestos, que já duram oito dias, de acordo com informações da organização americana Human Rights Activists in Iran (HRAI) divulgadas nesta segunda-feira, 5. As manifestações ocorrem em mais de 70 cidades devido à crescente crise econômica do país, resultado do aumento do custo de vida e do colapso da moeda local.
A Organização Hengaw para os Direitos Humanos, com sede na Noruega, identificou duas das vítimas como Mostafa Falahi, de 15 anos, e Rasul Kadivarian, de 17 anos. Morador da cidade de Azna, Falahi teria sido morto no dia 1º de janeiro, quando as forças de segurança abriram fogo contra manifestantes durante um protesto. Kadivarian morreu dias depois, quando um episódio semelhante ocorreu na cidade de Kermanshah. A terceira vítima, um adolescente de 17 anos, não foi identificada, com a mídia estatal noticiando sua morte na cidade de Qom.
“Esses números fornecem evidências claras de que jovens estão presentes durante os protestos em andamento. O ataque indiscriminado a uma população civil deve ser amplamente condenado como uma violação do direito internacional, especialmente com a clara ilustração das crianças presentes”, afirmou a diretora adjunta da HRAI, Skylar Thompson, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.
Segundo a HRAI, a revolta nacional se espalhou para 78 cidades e 222 locais, com muitos manifestantes pedindo a queda do regime de Teerã. Como resposta, o líder supremo Ali Khamenei definiu os participantes de “desordeiros” que deveriam “ser colocados em seu lugar”. Até o momento, 20 pessoas foram mortas e outras 990 detidas em meio aos maiores protestos no Irã desde 2022.
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“As forças estaduais estão atirando diretamente contra os protestantes, sem se importar se os alvos são crianças ou adultos”, afirma Awyar Shekhi, da ONG Hengaw. Ela afirma que a repressão governamental é brutal, com gás lacrimogêneo e armas militares sendo utilizadas, e os detentos capturados sendo severamente espancados antes de serem transferidos para locais não divulgados.
O relato de Shekhi é reiterado por testemunhas ouvidas pelo Guardian. Na cidade de Qom, um informante falando sob condição de anonimato apontou que os agentes podiam ver a presença de crianças e adolescentes na manifestação, mas isso “não os impediu de disparar projéteis, gás lacrimogêneo e tiros”. Segundo ele, a escalada da situação se torna cada vez mais mortal.
No distrito de Malekshahi, um segundo informante apontou que as forças de segurança promoveram disparos contra os manifestantes como se estivessem em uma zona de guerra. “Vi várias pessoas feridas, e acredito que algumas foram mortas no local. Tentamos levar os feridos para hospitais e impedir que as forças do governo prendessem manifestantes feridos”, afirmou a testemunha.
Os protestos no Irã começaram no dia 28 de dezembro, com o pontapé inicial sendo dado por comerciantes irritados com a queda do valor do rial, a moeda iraniana, frente ao dólar. Não demorou para que estudantes universitários aderissem aos protestos, que rapidamente se espalharam pelo país durante os dias seguintes.