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O nome se repetia como um sussurro familiar, atravessando décadas, salas de estar e horários nobres: Helena. Não por acaso, nem por obsessão autobiográfica, mas por escolha simbólica. Manoel Carlos acreditava na força dos mitos e no poder das mulheres que carregam o mundo nos gestos mais cotidianos. Inspirado na “Helena de Tróia”, da mitologia grega — a mulher cujo nome atravessou guerras, paixões e narrativas —, ele batizou suas protagonistas como quem escreve um manifesto silencioso: suas heroínas não precisavam salvar o mundo; bastava viver, amar, errar e resistir. Assim nasceram as Helenas, espelhos sensíveis de um Brasil urbano, afetivo e profundamente humano nas novelas de Maneco.

Com a morte do autor neste sábado 20, essas mulheres — agora fora da ficção — voltaram a se encontrar, desta vez nas redes sociais, para agradecer ao homem que lhes deu voz e o icônico papel de Helena como protagonista, marcadas na memória coletiva. Cada uma à sua maneira.

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Regina Duarte, a atriz que mais vezes habitou esse nome — em “História de Amor”, “Por Amor” e “Páginas da Vida” fez uma homenagem ao autor dizendo que o autor “a ensinou muito sobre ela mesma e a consistência do feminino” e compartilhou um vídeo de um fã-clube que o chamava de pai das Helenas e das grandes antagonistas, celebrando seu verbo ousado, sua poesia urbana e sua capacidade de transformar o Leblon em cenário mítico da dramaturgia brasileira.

Maitê Proença, a doce Leninha de “Felicidade”, escolheu um tom mais íntimo e quase etéreo. Em poucas palavras, desejou leveza ao autor na travessia, pedindo que ele levasse consigo o amor e a admiração de quem foi tocada por sua escrita.

Vera Fischer, a Helena de “Laços de Família”, gravou um vídeo emocionado e agradeceu pela personagem corajosa e amorosa que recebeu das mãos do autor e desejou voo — repetindo o verbo como quem embala alguém querido para longe, mas em paz.

Taís Araujo, única Helena negra da trajetória de Manoel Carlos, de “Viver a Vida” lembrou da transformação. Agradeceu pela confiança, pela aposta e, sobretudo, pela capacidade do autor de fazer o Brasil sonhar e se enxergar mais bonito.

A última Helena foi Júlia Lemmertz, em “Em Família”, fechando um ciclo que começou décadas antes com sua mãe, Lilian Lemmertz, a primeira a viver a personagem. Júlia optou pelo silêncio sensível dos stories, assim como Christiane Torloni, a Helena intensa de “Mulheres Apaixonadas”. Ambas escolheram imagens, memória e afeto — como se certas despedidas pedissem menos palavras e mais sentimento.

No fim, talvez seja isso que Manoel Carlos tenha feito melhor: ensinou que o essencial não grita. As Helenas seguem, cada uma com sua história, mas todas carregando o mesmo nome que agora soa como uma homenagem ao autor que soube como ninguém, escrever sobre o amor.

Veja as publicações das Helenas de Manoel Carlos:

Regina Duarte

Maitê Proença

https://www.instagram.com/eumaiteproenca/?hl=pt-br

Vera Fischer

Taís Araújo

Christiane Torloni

Christiane Torloni
Christiane TorloniInstagram @christorloni/Reprodução

Júlia Lemmertz

Julia Lemmertz
Julia LemmertzInstagram @lemmertzju/Reprodução