Três técnicos de enfermagem foram presos sob a suspeita de terem assassinado três pacientes que estavam internados em um hospital onde eles trabalhavam no Distrito Federal. Eles administraram medicamentos na veia das vítimas, provocando paradas cardíacas fatais, segundo a polícia.
Os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva, 24, Marcela Camilly Alves, 22, e Amanda Rodrigues de Sousa, 28, trabalhavam no Hospital Anchieta, em Taguatinga, e são suspeitos de terem matado três pacientes que estavam internados na UTI da unidade.
De acordo com a Polícia Civil de Brasília, Marcos Vinícius Silva entrou indevidamente no sistema de prescrição de medicamentos do hospital, pelo login de um médico, e prescreveu substância que poderiam matar para os pacientes. Ele aplicou os medicamentos na veia dos pacientes, e as técnicas ficaram vigiando para ninguém entrar no quarto ou se aproximar do leito.
Duas mortes ocorreram no dia 17 de novembro. Na última, no dia 1° de dezembro, o técnico de enfermagem já não conseguiu ter acesso à substância e aplicou, por dez vezes, um desinfetante na veia da vítima até ela morrer.
As ações das três mortes foram registradas por câmeras de segurança. Em depoimento à polícia, o técnico, inicialmente, negou a autoria do crime. No entanto, após os agentes mostrarem as imagens das câmeras, ele confessou o crime, segundo as autoridades.
“Existem elementos convincentes de que o técnico de enfermagem se passou pelo médico, entrou no sistema, que estava aberto, no sistema que faz a prescrição dos medicamentos no hospital, ele entrou duas vezes, e, se passando pelo médicos, ele prescreveu esse medicamento. Ele também foi até a farmácia, buscou os medicamentos, preparou os medicamentos, os escondeu no jaleco e os aplicou na veia dos pacientes”, disse o delegado Wisllei Salomão, que coordena a investigação, em coletiva de imprensa.
Ainda segundo Salomão, os técnicos aguardavam as paradas cardíacas ocorrerem e, quando mais profissionais de saúde chegavam na sala, eles aplicavam massagens cardíacas nas vítimas para fingir que tentavam salvá-las.
“A conduta das técnicas de enfermagem: elas foram negligentes. Elas sabiam qual era a substância que ele estava usando, tanto o medicamento quanto o desinfetante, elas sabiam que a aplicação direta na veia daqueles produtos poderia causar a morte e, mesmo assim, elas não intervieram e não fizeram nada. Elas estavam nos leitos dessas pessoas, elas viram [as aplicações], elas, inclusive, nas filmagens, demonstraram que olhavam a porta para impedir que terceiros entrassem”, explicou Salomão.
Mais vítimas
O delegado ainda afirmou que existe a possibilidade de haver outras vítimas, no entanto a polícia nega que outras vinte mortes já estejam sendo apuradas — como apontado por outros veículos de imprensa. “A gente vai investigar se existem outras vítimas naquele hospital, como também se existem vítimas nos [outros] hospitais onde esses técnicos de enfermagem trabalharam. Eles trabalham por cerca de cinco anos em hospitais diversos, privados e público”, disse.
A motivação do crime ainda não foi descoberta pela polícia. Os três suspeitos vão responder por homicídio qualificado, e a pena para esses crimes é de doze a trinta anos de prisão. Eles foram presos preventivamente nos dias 12 e 15 de janeiro.