A presença de Luiz Inácio Lula da Silva em mais um ato político nesta semana, no veto do PL da Dosimetria, reforçou um movimento que vem se desenhando desde o segundo semestre: o governo aposta em gestos simbólicos e em políticas de impacto direto no bolso para sustentar a recuperação da popularidade registrada no fim do ano passado. Para o cientista político Rubens Figueiredo, entrevistado no programa Ponto de Vista, o cenário segue longe de qualquer previsibilidade confortável para o Planalto principalmente por causa de um número desconfortável para o petista: a alta rejeição. (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo ele, o presidente conseguiu fechar o ano em situação melhor do que se imaginava meses atrás, mas isso não significa uma tendência consolidada. “É muito difícil falar em reversão definitiva. Ainda tem muita água para rolar”, avalia.
A escolha de Alckmin foi só eleitoral?
No discurso mais recente, Lula voltou a mencionar a decisão de compor chapa com Geraldo Alckmin, uma aliança que, até poucos anos atrás, parecia improvável. Para Figueiredo, o gesto foi essencialmente pragmático. “Foi uma escolha para ganhar a eleição”, resume, lembrando que a costura política teve como objetivo ampliar o arco de apoio num momento de forte polarização.
Por que o Estado pesa tanto na disputa?
O ponto central da análise está na dependência de grande parte da população em relação às políticas públicas. De acordo com Figueiredo, cerca de 99 milhões de brasileiros dependem diretamente de recursos do Estado, seja por meio de benefícios assistenciais, previdência ou programas de transferência de renda. “O Estado é muito importante na vida das pessoas, especialmente num país com renda média baixa e baixo nível de escolaridade”, afirma.
Nesse contexto, medidas como ampliação do Bolsa Família, vale-gás e isenções no Imposto de Renda tendem a melhorar a percepção sobre o governo, sobretudo entre eleitores ainda indecisos.
Popularidade garante fôlego político?
Apesar da melhora nos índices de aprovação no fim do ano, o cientista político alerta para um limite claro. Lula carrega hoje uma rejeição em torno de 46%, percentual que considera “parrudo” e que reduz significativamente a margem de crescimento. “É uma rejeição robusta. Isso deixa pouco espaço para avançar além do núcleo de apoio já consolidado”, diz.
Qual é o custo dessa estratégia?
Para Figueiredo, a aposta do governo tem um preço elevado. A ampliação de benefícios e incentivos ocorre às custas de um déficit fiscal maior, o que tende a gerar pressões econômicas no médio prazo. Ainda assim, ele não tem dúvidas de que o presidente seguirá por esse caminho. “Não há dúvida nenhuma de que Lula fará tudo o que for necessário para ganhar a eleição, mesmo com o custo fiscal mais alto”, conclui.
O resultado desse cálculo — entre recuperação de popularidade, rejeição elevada e pressão sobre as contas públicas — deve moldar o debate político ao longo de 2026.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.