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O mundo está abandonando o dólar? Entenda o que está em jogo

Os arroubos geopolíticos de Donald Trump — agora com a Groenlândia no centro da crise com a Europa — ajudam a acelerar um movimento que já vinha em curso: a redução da dependência global do dólar. No Programa Mercado de 20 de janeiro, especialistas explicaram que o termo mais preciso talvez não seja “desdolarização”, mas diversificação de reservas. A virada começou a ganhar tração após as sanções à Rússia, quando Moscou perdeu acesso ao sistema financeiro internacional e às reservas em dólar, acendendo um alerta nos bancos centrais mundo afora.

Para Luis Ferreira, da FG Private Wealth Management, a lição foi direta: concentrar reservas em uma única moeda virou risco geopolítico. A resposta tem sido espalhar o caixa entre diferentes moedas e ativos — com destaque para o ouro, cuja valorização recente reflete exatamente essa busca por proteção fora do circuito tradicional do dólar. A lógica não é ideológica, é pragmática: garantir acesso às reservas mesmo em cenários de sanções, conflitos ou rupturas políticas. Europa, Ásia e emergentes caminham na mesma direção, cada um ao seu ritmo.

Do ponto de vista do investidor, Jorge Gabriel, da Valor Investimentos, observa uma mudança ainda mais simbólica. Em crises globais, o reflexo automático sempre foi correr para o dólar. Mas quando os próprios Estados Unidos viram parte ativa da tensão — como no caso da Groenlândia — esse “porto seguro” passa a ser questionado. O fluxo recente migrou para moedas consideradas mais neutras, como o franco suíço e o iene japonês, além de ativos físicos. Nesse rearranjo, países emergentes que fazem o dever de casa, como o Brasil, entram no radar. O dólar segue central, mas já não reina sozinho — e o mundo começa a se preparar para isso.

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