Em entrevista a bordo do avião presidencial ontem à noite, Donald Trump disse que já tem um sucessor para Jerome Powell na presidência do Federal Reserve, mas no melhor estilo Trump, fez mistério sobre quem é o candidato, “É alguém muito respeitado”, respondeu. Para Alexandre Pires, professor de Relações Internacionais e Economia do Ibmec/SP, as críticas de Donald Trump a Jerome Powell cumprem um papel estratégico: manter um “espantalho” à disposição caso os indicadores econômicos decepcionem.
Pires lembra que Powell foi indicado pelo próprio Trump em seu primeiro mandato, mas que o atrito atual reflete uma tensão maior entre a visão do governo e a autonomia do banco central americano. O ponto sensível, segundo ele, não é apenas a política monetária em si, mas até onde vai a independência do Fed diante da pressão política — um tema que o mercado observa com lupa.
Na avaliação do professor, Trump segura do sucessor de propósito. Antecipar o nome sinalizaria o perfil do próximo Fed, se será mais pró-crescimento ou mais conservador, mais duro na política monetária ou mais ‘soft, o que seria imediatamente precificado pelo mercado.