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Número de mortos em protestos no Irã dispara para 3.400, diz ONG de direitos humanos

O número de mortos nos protestos antigovernamentais no Irã subiu para 3.428 pessoas, informou a ONG Iran Human Rights (IHR, na sigla em inglês) nesta quarta-feira, 14. Do número total de vítimas, 3.379 eram manifestantes. O levantamento leva em consideração fontes do Ministério da Saúde e Educação Médica da República Islâmica, além de relatórios e depoimentos colhidos pela organização.

“Segundo o relato de uma testemunha ocular em Rasht, um grupo de jovens manifestantes encurralados na área do bazar, em meio a incêndios e cercados por forças de segurança, levantaram as mãos em sinal de rendição, mas mesmo assim foram mortos a tiros”, disse a ONG em comunicado. “A IHRNGO também recebeu inúmeros relatos de pessoas feridas que foram ‘eliminadas’, com testemunhas relatando que isso ocorreu tanto nas ruas quanto em instalações médicas.”

Os atos contra o aumento do custo de vida e a crise inflacionária tiveram início em 28 de dezembro e se espalharam por todo o país, com mais de 18 mil presos. O balanço também indicou que “até o bloqueio da internet, os protestos haviam atingido todas as 31 províncias e cerca de 190 cidades”. A ONG disse que, em particular, “Karaj, na província de Alborz, foi palco de uma das repressões mais sangrentas”. Por lá, de acordo com o relatório, “forças estatais em Karaj utilizaram metralhadoras DShK contra os manifestantes”.

A organização alertou que o número de mortes pode ser ainda maior, já que o corte da internet pelo regime iraniano impede a verificação independente sobre o que tem acontecido no Irã. “Avaliações da inteligência israelense estimaram 5.000 mortes, enquanto o conselho editorial da Iran International TV afirmou que mais de 12.000 pessoas foram mortas somente nos dias 8 e 9 de janeiro. A CBS News também noticiou, citando duas fontes dentro do Irã, que o número de mortos pode ter chegado a cerca de 20.000”, disse o comunicado.

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Repressão

O clero do Irã, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979, tentou adotar uma abordagem dupla em relação às manifestações. Por um lado, validaram a legitimidade da insatisfação contra os problemas econômicos; por outro, impuseram uma dura repressão policial aos atos. Autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos e Israel de fomentar a revolta com objetivo de desestabilizar o regime, e também acusaram supostos “terroristas”, não identificados, de “sequestrar” o movimento popular.

Restrições de comunicação, incluindo um bloqueio da internet desde a última sexta-feira, dificultaram o fluxo de informações. Mas vídeos que circulam nas redes sociais mostram confrontos entre manifestantes e forças de segurança na última semana, vários deles verificados de forma independente, e revelam que policiais usam munição real contra a população civil que saiu às ruas.

Em meio a relatos sobre o aumento da opressão, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta que foi informado por uma “fonte confiável” de que as “execuções” pararam no Irã. Na véspera, o republicano fez sucessivas ameaças de intervir no país — inclusive por meios militares — para “proteger” os manifestantes e pediu que os iranianos “tomem as instituições” nacionais.

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“Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR — TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guarde os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!!”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social, com as habituais letras maiúsculas na terça-feira 13.

 

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