Pessoas que consomem oleaginosas com mais frequência — especialmente as que crescem em árvores, como amêndoas, nozes e castanhas-de-caju — apresentam menor risco de morrer por doenças do coração. É o que sugere estudo conduzido por pesquisadores da Loma Linda University Health, na Califórnia.
Para realizar a pesquisa, os pesquisadores recorreram ao Adventist Health Study-2, um estudo que acompanha mais de 80 mil membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia nos Estados Unidos e no Canadá. Isso porque esse grupo possui alguns hábitos bem específicos, como baixos índices de tabagismo e consumo de álcool e uma alimentação baseada em vegetais, frutas, grãos integrais, sementes e oleaginosas.
“Em muitas populações, comportamentos nocivos aparecem com mais frequência e acabam embaralhando a relação entre dieta e doença”, explicou Montry Suprono, principal autor do estudo, ao jornal da Loma Linda University. “Ao focar nos hábitos de pessoas adventistas, conseguimos enxergar melhor o impacto da alimentação na saúde.”
Os participantes foram acompanhados por cerca de 11 anos. Nesse período, ocorreram mais de 4 mil mortes por doenças cardiovasculares e pouco mais de 1,5 mil por doença isquêmica do coração, que está por trás de infartos e outras complicações graves. A dieta de cada um foi avaliada por meio de questionários, que permitiram analisar tanto o consumo total de oleaginosas quanto o consumo específico das chamadas “nozes de árvores”.
Resultados
Os resultados indicam uma associação entre maior frequência de consumo de oleaginosas e menor risco de morte por doenças cardiovasculares ao longo do tempo. Na análise que considerou o consumo total (categoria que reuniu nozes, amendoim e manteiga de amendoim), os participantes que mais comiam esses alimentos apresentaram um risco 14% menor de morte por doenças cardiovasculares e 19% menor de morte por doença isquêmica do coração, em comparação com aqueles que raramente ou nunca comiam.
Quando a análise foi restrita às oleaginosas de árvores, como amêndoas, nozes e castanhas-de-caju — excluindo o amendoim, que é botanicamente uma leguminosa, e a manteiga de amendoim, frequentemente consumida com adição de sal, açúcar e óleos —, as associações foram ainda mais fortes. Nesse grupo, a redução do risco foi de 17% para morte cardiovascular e de 27% para morte por doença isquêmica do coração.
Vale destacar que o estudo não define uma “dose ideal” diária. As comparações foram feitas entre os extremos. Ou seja, quem comia com muita frequência versus quem raramente colocava no prato.
Além disso, os autores também analisaram trocas no prato. Reduzir o consumo de carne vermelha (processada ou não) e aumentar a ingestão de nozes esteve associado a uma redução de 35% a 44% no risco de morte por doenças cardiovasculares. “A tendência geral das pesquisas em saúde é clara: menos carne, mais proteína vegetal”, resumiu Suprono.
A pesquisadora lembra que, nas décadas de 1980 e 1990, as nozes eram vistas com desconfiança por causa do teor de gordura. Só em 1992 um estudo liderado por Gary Fraser, também envolvido nesta pesquisa atual, ajudou a virar o jogo. “Esse trabalho literalmente recolocou as nozes no mapa”, disse Suprono. Depois dele, vieram pesquisas em várias partes do mundo confirmando o efeito protetor.
Limitações
Apesar dos resultados, os autores fazem ponderações importantes. O estudo é do tipo observacional, o que significa que ele identifica associações, mas não permite afirmar que o consumo de nozes, por si só, seja a causa direta da redução do risco de morte cardiovascular. Isso porque há vários outros fatores que podem influenciar o resultado. Por exemplo: é possível que as pessoas que consomem mais nozes, também pratiquem atividades físicas, consomem mais frutas e grãos integrais e por aí vai.
Ainda assim, há um consenso que não dá para contestar: nozes e castanhas são alimentos ricos em nutrientes, fibras, magnésio, vitaminas e gorduras insaturadas, componentes reconhecidamente positivos para a saúde do coração. Não são um “atalho” nem substituem outros cuidados, mas podem somar pontos quando inseridas em um padrão alimentar saudável e equilibrado.
Para quem ainda evita esse tipo de alimento ou quer começar a incluir na rotina, pequenas porções algumas vezes por semana já são um bom ponto de partida, segundo Suprono. “Elas podem ser consumidas inteiras ou adicionadas a saladas, aveia, vitaminas ou iogurte. A recomendação é dar preferência às versões minimamente processadas, cruas e sem sal”, orienta a pesquisadora.