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Nem sempre é escolha: celibato voluntário pode esconder desespero

Se nas últimas décadas os jovens já registravam menos atividade sexual que as gerações anteriores, hoje um número crescente de pessoas opta pelo chamado volcel, ou simplesmente celibato involuntário. Diferente da abstinência com propósito espiritual, o celibato laico atual frequentemente nasce de esgotamento, medo de intimidade ou insatisfação com a cultura de conexões descartáveis. “É uma conduta de evitar para não sofrer, mas pode ser uma escolha empobrecedora”, analisa o sexólogo Antoni Bolinches ao periódico espanhol El País. “Sofremos por viver e também acabamos sofrendo por uma vida não vivida”, resume.

O perigo, nesse caso, está em como uma reação defensiva pode se transformar em regra. Muitas vezes, o celibato não é uma escolha livre, mas sim uma imposição das circunstâncias. Quando a dificuldade de criar laços significativos passa a ser vista como um estilo de vida, corre-se o risco de glamourizar a solidão e desistir de buscar intimidade – que sempre envolve risco. O ponto, então, não é condenar quem escolhe o celibato, mas entender se essa decisão vem de uma verdadeira autonomia sobre o próprio desejo, ou se é um sinal de que a pessoa desistiu de tentar, convencida de que se relacionar virou um jogo que não compensa mais.

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